A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a ser assunto nos bastidores da política e, desta vez, por causa de um apelido que passou a circular entre pessoas próximas aos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo integrantes desse grupo, Michelle vem sendo chamada de “Yoko Ono”, em uma comparação que faz referência à artista japonesa Yoko Ono, frequentemente associada por parte dos fãs ao fim da banda britânica Beatles.
O apelido surgiu como uma crítica ao comportamento atribuído à ex-primeira-dama depois da divulgação de um vídeo, publicado na última semana, em que ela faz críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O parlamentar, além de ser filho do ex-presidente, também é apontado como um dos possíveis nomes do partido para disputar a Presidência da República nas eleições de 2026.
Nos bastidores do bolsonarismo, alguns aliados interpretaram a manifestação de Michelle como um fator que pode aumentar as divergências dentro do próprio grupo político. A avaliação é que o episódio acabou alimentando discussões internas em um momento considerado delicado para a direita, que tenta manter unidade enquanto aguarda os próximos desdobramentos do cenário eleitoral.
A comparação ganhou ainda mais repercussão nesta quinta-feira (2), quando o jornalista e youtuber Kim Paim comentou nas redes sociais os resultados da mais recente pesquisa AtlasIntel. Ao compartilhar uma publicação sobre o levantamento, ele escreveu: “13% apoiam a Yoko Ono”, fazendo uma referência direta ao apelido atribuído à ex-primeira-dama.
Kim Paim é conhecido por manter proximidade com integrantes do núcleo bolsonarista, entre eles o ex-vereador Carlos Bolsonaro. Por isso, a publicação chamou atenção entre apoiadores e também entre críticos do grupo político. Em poucas horas, o comentário passou a ser compartilhado por diversos perfis nas redes sociais, aumentando ainda mais o debate em torno da relação entre Michelle e a família Bolsonaro.
Mas afinal, por que “Yoko Ono”? A comparação tem origem na história da artista japonesa, cantora, compositora e ativista, que foi casada com John Lennon entre 1969 e 1980. Até hoje, uma parcela dos admiradores dos Beatles acredita que ela teve influência na separação da banda, embora essa seja uma visão bastante contestada por pesquisadores e pessoas próximas ao grupo.
Na realidade, diversos historiadores da música afirmam que os Beatles já enfrentavam problemas internos antes mesmo da chegada de Yoko Ono à vida de John Lennon. Questões financeiras, diferenças criativas e conflitos pessoais entre os integrantes já estavam presentes muito antes do rompimento oficial da banda.
Ainda assim, muita gente considera que a presença constante de Yoko ao lado de Lennon durante gravações e reuniões acabou aumentando o desgaste na convivência entre os músicos. Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr chegaram a viver momentos de tensão com o casal, fato que alimentou a narrativa de que ela teria contribuído para acelerar o fim da banda.
É justamente nessa percepção popular que aliados dos filhos de Jair Bolsonaro basearam a comparação com Michelle. Para esse grupo, a ex-primeira-dama estaria exercendo um papel que provoca mais divisões do que união dentro do bolsonarismo. Já pessoas próximas de Michelle rejeitam esse tipo de interpretação e defendem que ela apenas expressou sua opinião sobre questões políticas.
O episódio acontece em um momento em que pesquisas de opinião e movimentações nos bastidores têm aumentado a disputa por espaço entre lideranças da direita. Com as eleições se aproximando, qualquer declaração pública acaba ganhando uma proporção maior, principalmente quando envolve nomes de peso ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Se essa polêmica terá impacto real nas articulações do grupo, só os próximos meses devem mostrar.