O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, jogou um verdadeiro balde de água fria na família do ex-presidente Jair Bolsonaro neste sábado (28). Em uma decisão firme, daquelas sem muita margem pra interpretação, ele negou o pedido da defesa que tentava aliviar as regras da prisão domiciliar. Resultado: continuam valendo restrições bem duras, inclusive sobre quem pode entrar e sair da casa no Jardim Botânico, em Brasília.
Bolsonaro, que foi condenado a 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado, saiu do hospital DF Star na sexta-feira (27) e começou a cumprir um período de 90 dias em casa, por motivos de saúde. A expectativa da família era transformar o local quase que num ponto de encontro político, uma espécie de QG mesmo. Só que, na prática, não foi bem assim que aconteceu.
Logo depois da decisão, o clima pesou. Filhos e aliados não esconderam a insatisfação. A medida atinge diretamente Carlos Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro, que não moram com o pai. Agora, se quiserem visitar, vão ter que seguir um esquema parecido com o de presídio: apenas quartas e sábados, com horários bem limitados, tipo duas horinhas e pronto. É uma rotina engessada, que pegou mal dentro do grupo.
Já Eduardo Bolsonaro continua fora do jogo. Ele está nos Estados Unidos e é considerado foragido. Ou seja, não tem nem chance de visita — e, se voltar ao Brasil, pode ser preso na hora. Situação complicada, pra dizer o mínimo.
A defesa tentou argumentar que o ex-presidente deveria ter um tratamento mais flexível, alegando que o ambiente é familiar, que não faria sentido tanta rigidez… mas Moraes foi direto. Disse que o pedido não tinha “qualquer viabilidade jurídica”. Foi curto e grosso, sem rodeios.
Mesmo com as restrições, a família buscou alternativas. Um exemplo disso é Flávio Bolsonaro. O senador conseguiu uma saída meio estratégica: entrou oficialmente como um dos advogados do pai. Com isso, ele pode visitar com mais frequência e ficar mais tempo na residência, já que passa a ter prerrogativas profissionais. Uma manobra, digamos, inteligente — ou polêmica, depende do ponto de vista.
Outro ponto que chamou atenção foi a estrutura montada na casa. A defesa teve que detalhar tudo ao STF. O “staff” inclui oito motoristas e seguranças, além de duas empregadas domésticas, manicure e até piscineiro. É uma rotina que, apesar de ser prisão domiciliar, ainda levanta discussão… muita gente comenta, inclusive nas redes, que tá longe de ser uma realidade comum.
Na parte da saúde, também houve formalização. A equipe médica que vai acompanhar Bolsonaro inclui nomes como os cardiologistas Brasil Caiado e Leandro Echenique, o cirurgião Cláudio Birolini e o fisioterapeuta Kleber Antônio Caiado de Freitas. Ainda falta a lista completa de enfermeiros, que deve ser entregue em breve.
No fim das contas, o recado do STF ficou bem claro, mesmo sem precisar de muita explicação: a ida para casa não é liberdade, nem muito menos um benefício político. Foi uma medida humanitária, ponto. E com regras — rígidas, inclusive. Pra quem achava que o cenário seria mais leve, acabou sendo o contrário.