Neurologista explica sinais “silenciosos” do AVC que muita gente ignora

O Acidente Vascular Cerebral, mais conhecido como AVC, continua sendo uma das doenças que mais matam no Brasil. Dados do Ministério da Saúde apontam que ele está ligado a cerca de 30% das mortes registradas todos os anos. O número assusta, principalmente porque muita gente ainda não consegue identificar os sinais antes que a situação fique grave. E pior: em vários casos o corpo dá pequenos avisos, mas eles acabam sendo ignorados no dia a dia corrido.

Dor de cabeça frequente, tontura, falta de ar e até visão embaçada são sintomas que muita gente costuma tratar como algo comum. Tem gente que coloca a culpa no estresse, no calor, na correria do trabalho ou até no excesso de tempo mexendo no celular. Só que especialistas alertam que esses sinais podem indicar problemas sérios relacionados à pressão alta, considerada hoje o principal fator de risco para o desenvolvimento do AVC.

O neurologista Marco Oliveira Py, que atua no Hospital São Lucas Copacabana, explicou que esses sintomas não devem ser deixados de lado, principalmente por pessoas que já possuem histórico de doenças cardiovasculares na família. Segundo ele, muita gente só procura ajuda médica quando o quadro já virou uma emergência, e isso pode custar caro.

De acordo com o especialista, dores de cabeça persistentes, palpitações, cansaço fora do normal e tonturas constantes merecem atenção imediata. Nem sempre o problema vai ser grave, claro, mas ignorar completamente também não é o melhor caminho. Em tempos onde muita gente vive sob pressão emocional e rotina pesada, cuidar da saúde acabou ficando em segundo plano pra boa parte da população.

E quando o assunto é AVC, tempo realmente faz diferença. Os médicos costumam repetir uma frase bastante conhecida nos hospitais: “tempo é cérebro”. Isso porque, quando um vaso cerebral é obstruído, o sangue deixa de chegar corretamente em uma determinada área do cérebro. A partir daí, os neurônios começam a morrer rapidamente. Quanto mais demora no atendimento, maior o risco da pessoa ficar com sequelas permanentes.

Entre os sintomas mais conhecidos do AVC estão dificuldade para falar, perda de força em um dos lados do corpo, boca torta e confusão mental repentina. O problema é que muitas famílias ainda perdem tempo tentando entender o que está acontecendo antes de procurar socorro. Tem casos em que a pessoa prefere esperar “passar sozinho”, acreditando que seja apenas uma queda de pressão ou algo momentâneo.

Segundo o neurologista, esse é justamente um dos maiores erros. Mesmo que alguns sintomas diminuam temporariamente, o cérebro continua sofrendo danos internos. E em muitos casos, cada minuto perdido reduz as chances de recuperação completa do paciente.

Nos últimos anos, inclusive depois da pandemia, médicos passaram a perceber um aumento de pessoas mais jovens apresentando pressão alta e problemas cardiovasculares. Má alimentação, excesso de comidas industrializadas, ansiedade, noites mal dormidas e sedentarismo ajudam bastante nesse cenário preocupante. Hoje não é raro encontrar adultos abaixo dos 40 anos já convivendo com hipertensão.

Pra tentar evitar esse tipo de situação, os especialistas reforçam a importância de hábitos mais saudáveis. Diminuir o sal da comida, praticar atividades físicas, controlar o estresse e abandonar o cigarro continuam sendo recomendações básicas, mas muita gente ainda encontra dificuldade pra manter uma rotina equilibrada.

No fim das contas, o AVC continua sendo silencioso em muitos casos. E talvez esse seja justamente o maior perigo da doença. O corpo avisa, dá sinais, mas nem sempre as pessoas conseguem perceber a gravidade a tempo.



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