Carla Zambelli e a Justificativa Inusitada: Falta de Contato com o Português
A deputada federal licenciada Carla Zambelli, que pertence ao PL de São Paulo, gerou polêmica durante seu depoimento à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Em uma sessão realizada por videoconferência, enquanto se encontrava detida na Itália, Zambelli fez uma declaração que deixou muitos perplexos: alegou que sua memória estava falhando devido ao tempo prolongado sem falar português.
O Contexto da Declaração
No dia 24 de outubro, Zambelli explicou que a falta de contato com o idioma tinha dificultado sua capacidade de recordar detalhes importantes relacionados ao processo que poderá resultar na cassação de seu mandato. “Não tenho onde pesquisar. Então, tem coisas que eu não lembro,” disse ela, enfatizando sua dificuldade com o idioma, já que estava sem interagir em português.
A declaração, por si só, já causou estranhamento. Afinal, como uma figura pública que tem seu mandato em jogo, a habilidade de se comunicar em sua língua nativa deveria ser uma prioridade. O fato dela se encontrar em uma situação tão delicada e atribuir suas falhas de memória à falta de uso do português pareceu, para muitos, uma tentativa de desviar a atenção de questões mais sérias.
Acusações de Perseguição Política
Além de sua justificação sobre o idioma, Zambelli também se utilizou do depoimento para acusar o ministro Alexandre de Moraes, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), de perseguição política. Segundo suas alegações, Moraes estaria atuando para isolá-la completamente, afetando não apenas ela, mas também sua família. “Soube, por pessoas que trabalham perto dele, que ele queria me estrangular mesmo, no sentido de eu não ter nada, nem ninguém perto de mim,” relatou Zambelli, demonstrando emoção ao mencionar o impacto que a situação teve em sua vida pessoal.
Ela detalhou que as contas bancárias de seu marido, Aginaldo, foram bloqueadas e que as redes sociais de seu filho de 17 anos e de sua mãe também foram suspensas. Essa série de ações levantou questões sobre os limites da judicialização da política e o que pode ser considerado abuso de poder.
O Envolvimento com o Hacker
Carla Zambelli é alvo de um processo que envolve sua condenação pelo STF, devido a sua participação na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com a ajuda do hacker Walter Delgatti. As acusações contra ela incluem a tentativa de adulterar documentos oficiais, como um mandado de prisão falso contra o ministro Moraes. Após essa condenação, o STF encaminhou à Câmara dos Deputados um pedido formal para a perda de seu mandato.
Durante o depoimento, Zambelli defendeu-se afirmando que não foi ela quem financiou diretamente Delgatti, mas sim uma empresa que tinha contratado os serviços dele. Segundo a deputada, o contrato estabelecido previa um pagamento total de R$ 10 mil, mas apenas R$ 3 mil foram efetivamente pagos, uma vez que o trabalho não foi cumprido conforme acordado.
A Situação Atual
O processo está sob a relatoria do deputado Diego Garcia, do partido Republicanos-PR. Antes de ouvir Zambelli, a CCJ já havia escutado Delgatti e Eduardo Tagliaferro, que foi assessor de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Após a oitiva da deputada, o relator deve elaborar um parecer que será votado na comissão e, posteriormente, levado ao plenário da Câmara para deliberação.
Zambelli está licenciada do seu mandato desde que recebeu autorização do presidente da Câmara, Hugo Motta, para se ausentar por 127 dias. Durante esse período, seu lugar na Câmara está sendo ocupado temporariamente pelo suplente Coronel Tadeu, também do PL de São Paulo.
Essa situação complexa envolvendo Zambelli, suas declarações e as consequências jurídicas que enfrenta levanta um debate mais amplo sobre a política brasileira e a luta pelo poder, além de trazer à tona a discussão sobre as limitações da liberdade de expressão e os efeitos da judicialização da política.