MP aponta Deolane como “caixa do PCC” em investigação

A situação envolvendo a advogada e influenciadora Deolane Bezerra voltou a ganhar destaque após novas informações relacionadas à Operação Vérnix. Segundo o Ministério Público, ela é apontada como integrante do chamado núcleo financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), organização criminosa investigada por diferentes atividades ilícitas. As acusações, porém, ainda são objeto de investigação e dependem das decisões da Justiça.

De acordo com informações divulgadas pela coluna de Mirelle Pinheiro, do Metrópoles, em reportagem assinada por Giovanna Sfalsin e Letícia Guedes, o Ministério Público pediu, no dia 20 de agosto, que a prisão preventiva dos investigados na operação fosse mantida. Entre os nomes citados está o de Deolane.

Para os investigadores, a influenciadora teria exercido uma função importante na movimentação de recursos que seriam provenientes de atividades ilegais. A suspeita é de que valores tenham passado por contas ligadas a ela e também por empresas, numa tentativa de dificultar a identificação da origem do dinheiro.

O Ministério Público afirma ainda que parte desses recursos teria sido transformada em bens de alto valor. Durante as apurações, os investigadores encontraram dezenas de transferências consideradas suspeitas. Somadas, elas chegariam a aproximadamente R$ 700 mil, realizadas entre os anos de 2018 e 2021.

O caso chama atenção também pelo tamanho das medidas determinadas pela Justiça. Cerca de R$ 27 milhões em contas relacionadas à influenciadora foram bloqueados. Além disso, 39 veículos de luxo foram apreendidos, com avaliação superior a R$ 8 milhões.

Deolane foi presa em maio de 2026, em Alphaville, na região metropolitana de São Paulo, durante uma ação ligada às investigações. Outras pessoas também foram alvo da operação, incluindo integrantes da família de Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola e apontado pelas autoridades como uma das principais lideranças do PCC.

Segundo a investigação, o grupo criminoso seria dividido em diferentes setores, cada um com uma função específica. O primeiro seria o núcleo decisório, relacionado à liderança da organização. Depois aparece o núcleo operacional, responsável pela execução das atividades. Já o terceiro seria o financeiro, justamente onde, segundo o MP, Deolane teria atuado ao lado de pessoas próximas à liderança da facção.

A acusação coloca a influenciadora no centro de uma investigação bastante complexa. O Ministério Público considera que a prisão preventiva é necessária para garantir a ordem pública e evitar possíveis interferências no andamento do processo. A defesa, por sua vez, ainda pode apresentar seus argumentos e contestar as acusações feitas durante a investigação.

É importante lembrar que ser investigado ou denunciado não significa, por si só, que uma pessoa já tenha sido considerada culpada. As acusações precisam ser analisadas pela Justiça, com direito à defesa e ao contraditório.

O caso de Deolane, que já era uma figura conhecida nas redes sociais e no meio jurídico, ganhou uma dimensão ainda maior depois da operação. Agora, as próximas decisões judiciais deverão definir os rumos da investigação e esclarecer qual teria sido, de fato, a participação de cada um dos envolvidos no esquema apontado pelas autoridades.



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