O ator Jaime Leibovitch, conhecido do público por seus papéis marcantes e, mais recentemente, por viver o Barão Duchamps na novela Êta Mundo Bom! (que muita gente ainda reassiste no Globoplay quando bate aquela nostalgia), emocionou a internet nos últimos dias. Aos 79 anos, ele mora no tradicional Retiro dos Artistas, no Rio de Janeiro, e participou de uma ação simples, mas bastante simbólica: escrever em um cartaz o seu pedido de Natal, que depois seria publicado nas redes sociais da instituição.
No papel, segurado com aquele cuidado de quem sabe que pequenos gestos podem carregar muito significado, Jaime escreveu que gostaria de ganhar um Kindle, o leitor digital da Amazon que virou febre entre leitores do país inteiro — ainda mais agora, no fim do ano, quando as promoções aparecem do nada e somem rapidinho. O aparelho, dependendo do modelo, custa entre R$ 599 e R$ 1.630, valores que para alguns são acessíveis, mas para muitos artistas aposentados se tornam praticamente impossíveis.
A reação do público foi imediata. Mal a postagem subiu, os comentários começaram a pipocar como se fosse live de final de A Fazenda. Vários fãs se ofereceram para doar o aparelho. “Eu tenho um Kindle pra dar pro Jaime! Tá novinho, juro!”, escreveu uma internauta. Outro comentou: “Tenho um aqui funcionando 100%. Como faço pra entregar?”. A comoção foi tamanha que até influenciadores começaram a compartilhar o pedido, gerando aquela corrente espontânea que a internet, vez ou outra, ainda proporciona — uma trégua no caos das redes em plena segunda-feira de dezembro.
Esse carinho não veio à toa. Jaime Leibovitch tem uma trajetória longa e respeitada na TV, no teatro e no cinema. Mesmo não aparecendo com tanta frequência nos últimos anos, continua sendo lembrado pelo público e pelos colegas. Muitos destacaram que presentear alguém que dedicou a vida à arte é quase como devolver um pouquinho do que ele já entregou aos espectadores ao longo das décadas.
Outros pedidos que comoveram o Brasil
A ação do Retiro dos Artistas não envolveu só Jaime. Vários residentes escreveram seus pedidos, e o resultado foi um álbum de fotos que mexeu com quem viu. Alguns pedidos eram simples, quase prosaicos; outros, profundamente emocionais.
A artista circense Piucha, por exemplo, pediu apenas para ver sua sobrinha — algo que deveria ser comum, mas que, por diversos motivos, muitas vezes não acontece. Rita Maia desejou reencontrar a filha, enquanto Sonia Zagury escreveu apenas “um mundo melhor”, talvez resumindo o sentimento de um país inteiro nesse final de 2025, com guerra lá fora, crise cá dentro e esperança pingando pelas bordas. Já André Oliveira colocou um pedido inusitado: ter um apartamento na Avenida Atlântica, em Copacabana. Um sonho grande, quase poético, mas ainda assim legítimo.
Esses cartazes viralizaram justamente porque revelam necessidades muito humanas — desde afeto até objetos que facilitam o dia a dia. A campanha tocou especialmente quem acompanha debates sobre envelhecimento digno, que ganharam força nas redes neste ano com discussões sobre abandono de idosos e aumento do custo de vida.
O que é o Retiro dos Artistas
Fundado em 1918, o Retiro dos Artistas é uma instituição histórica que acolhe atores, produtores, roteiristas, cineastas, circenses e profissionais que dedicaram a vida ao entretenimento brasileiro. A casa oferece moradia, alimentação, cuidados básicos, atendimento médico e um espaço de convivência. Tudo isso mantido graças a doações, parcerias e trabalho voluntário — o que faz a instituição sempre depender do engajamento público, ainda mais em tempos de orçamento apertado.
O local possui casas individuais, refeitório, teatro, lavanderia e áreas onde os residentes socializam, ensaiam ou simplesmente conversam sobre os velhos tempos. Para muitos artistas, o retiro representa não só um lar, mas também uma forma de preservar sua história e manter viva a memória da cultura brasileira.
A campanha dos pedidos de Natal acabou mostrando exatamente isso: que memória e carinho também se constroem no presente, e que às vezes tudo que alguém precisa é de um gesto simples — como entregar um Kindle novinho para um ator que marcou gerações.