Uma reportagem publicada nesta terça-feira (31) pela Folha de S.Paulo colocou o nome do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, no centro de uma nova polêmica. Segundo o jornal, ele teria utilizado pelo menos oito voos em aeronaves ligadas ao empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, entre maio e outubro de 2025.
De acordo com a publicação, o ministro não estaria sozinho nessas viagens. A esposa dele, Viviane Barci de Moraes, também teria acompanhado parte desses deslocamentos. A informação rapidamente repercutiu nas redes sociais e gerou uma série de debates, principalmente num momento em que o Judiciário já vem sendo bastante comentado por decisões recentes — basta lembrar o clima tenso em Brasília nas últimas semanas.
Mas nem tudo é o que parece, pelo menos segundo a versão oficial. Em nota, o gabinete de Moraes negou tudo de forma bem direta, sem rodeios mesmo. Disse que as “ilações da fantasiosa matéria são absolutamente falsas”. E foi além: afirmou que o ministro nunca viajou em aeronaves de Vorcaro e que sequer conhece Fabiano Zettel, outro nome citado na reportagem.
A Folha, por outro lado, afirma que chegou a essas informações após cruzar dados de órgãos oficiais, como a Agência Nacional de Aviação Civil, o Departamento de Controle do Espaço Aéreo e o Registro Aeronáutico Brasileiro. Ou seja, não foi algo tirado do nada, segundo o jornal — houve um trabalho de apuração ali, com base em registros de voos.
Ainda conforme a reportagem, sete dos oito voos teriam sido feitos em aeronaves da Prime Aviation, uma empresa conhecida por oferecer serviços de compartilhamento de bens de luxo. Esse tipo de serviço, aliás, cresceu bastante nos últimos anos, principalmente entre empresários e pessoas com alto poder aquisitivo. Vorcaro seria sócio da empresa por meio de um fundo chamado Patrimonial Blue.
Já o oitavo voo chama mais atenção. Ele teria ocorrido em agosto de 2025, utilizando um avião modelo Falcon 2000, que, segundo a matéria, pertenceria a uma empresa sem autorização para operar como táxi aéreo. Entre os sócios dessa aeronave estaria justamente Fabiano Zettel, que também é cunhado de Vorcaro.
E aí entra outro ponto delicado da história: Vorcaro foi preso após se entregar à Polícia Federal, no contexto da Operação Compliance Zero. Esse detalhe acabou dando ainda mais peso à repercussão da notícia, porque conecta nomes, empresas e investigações em andamento — algo que sempre chama atenção da opinião pública.
Por outro lado, o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes apresentou sua própria versão dos fatos. Em nota, afirmou que contrata com frequência serviços de táxi aéreo, inclusive da Prime Aviation, mas que isso ocorre com base em critérios técnicos e operacionais. Segundo eles, não existe qualquer relação pessoal com os donos das aeronaves.
O escritório também fez questão de reforçar que, nos voos realizados, nem Vorcaro nem Zettel estavam presentes. E mais: declarou que nenhum advogado do escritório conhece Zettel ou teve qualquer tipo de contato com ele.
No fim das contas, o caso virou aquele típico embate de versões. De um lado, uma investigação jornalística baseada em dados oficiais. Do outro, negativas firmes e categóricas por parte dos envolvidos.
E, como tem sido comum no Brasil de hoje, a discussão rapidamente saiu do campo técnico e foi parar nas redes sociais, onde cada lado defende sua narrativa com bastante convicção — às vezes até sem ler tudo direito, diga-se. Agora, resta acompanhar os próximos capítulos pra entender até onde essa história vai, porque, sinceramente, ainda tem muita coisa que pode aparecer.