Moraes tenta tirar Bolsonaro do debate político, mas reação surpreende: “Ingênuo”

A atuação do ministro Alexandre de Moraes voltou ao centro das discussões políticas depois de uma análise feita pelo cientista político Leonardo Barreto, sócio da consultoria Think Policy. Durante entrevista concedida ao jornalista William Waack, na CNN, nesta quarta-feira (29), Barreto afirmou que as medidas tomadas pelo magistrado contra o ex-presidente Jair Bolsonaro podem estar produzindo um resultado bem diferente do esperado.

Na avaliação do analista, existe um efeito contrário acontecendo. Em vez de afastar Bolsonaro do debate político nacional, as decisões acabam mantendo o ex-presidente como um dos principais assuntos da política brasileira. Segundo ele, quanto mais o tema ganha repercussão, maior também é o espaço ocupado por Bolsonaro nas conversas públicas e nas redes sociais.

Leonardo Barreto destacou que Alexandre de Moraes estaria exercendo um papel considerado por ele como “um pouco ingênuo”. Para o consultor, o ministro parece repetir uma estratégia que funcionou em outro momento, mas que hoje encontra um cenário completamente diferente. Ele lembrou que, durante as eleições de 2022, Moraes teve uma participação bastante ativa em decisões relacionadas ao processo eleitoral, seguindo uma linha parecida com a defendida pelo ministro Gilmar Mendes, que sempre argumentou sobre uma atuação mais firme do Judiciário diante de situações consideradas extremistas.

Só que, de acordo com Barreto, o Brasil de agora não é mais o mesmo daquele período. Nos últimos anos, o ambiente político mudou bastante, principalmente por causa da evolução das redes sociais, das novas ferramentas tecnológicas e da forma como as informações circulam pela internet. Além disso, segundo ele, a direita brasileira também se organizou melhor e passou a responder de maneira mais rápida aos acontecimentos políticos.

Outro ponto citado pelo cientista político é a pressão internacional. Barreto afirma que hoje existe um olhar mais atento de outros países, especialmente dos Estados Unidos, sobre acontecimentos envolvendo liberdade de expressão, atuação das instituições e decisões judiciais ligadas ao ambiente político brasileiro. Esse fator, segundo sua análise, dificulta que o cenário vivido em 2022 possa se repetir exatamente da mesma forma.

Na visão dele, se o objetivo das medidas era reduzir a influência de Jair Bolsonaro na política nacional, o efeito observado acaba sendo justamente o inverso. Isso porque o ex-presidente continua ocupando espaço nas notícias, nos debates e principalmente nas redes sociais, onde seus apoiadores seguem divulgando imagens, vídeos e manifestações em sua defesa. Em muitos casos, qualquer nova decisão envolvendo Bolsonaro acaba gerando ainda mais repercussão e aumentando o interesse do público pelo assunto.

Barreto também comentou que Alexandre de Moraes não teria hoje o mesmo nível de apoio institucional que possuía durante o período eleitoral de 2022. Segundo ele, parte do ambiente jurídico mudou e algumas posições adotadas recentemente passaram a receber questionamentos que antes praticamente não existiam. Esse contexto acaba tornando mais difícil uma atuação semelhante àquela vista nas eleições passadas.

Durante a entrevista, o consultor ainda fez críticas à possibilidade de um controle antecipado por parte da Justiça Eleitoral sobre determinados temas ligados ao processo eleitoral. Na avaliação dele, essa ideia seria exagerada e chegou a classificá-la como uma “maluquice”, argumentando que esse tipo de estratégia enfrenta obstáculos maiores no cenário político atual.

No fim da análise, Leonardo Barreto concluiu que o contexto brasileiro passou por mudanças importantes nos últimos anos. Para ele, fatores como o avanço da tecnologia, a reorganização dos grupos políticos e o novo ambiente internacional reduziram a capacidade de repetir as estratégias utilizadas anteriormente. Com isso, segundo sua avaliação, as ações que buscariam diminuir o protagonismo de Jair Bolsonaro acabam contribuindo para mantê-lo no centro das discussões políticas e eleitorais, fortalecendo sua presença no debate público em vez de enfraquecê-la.



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