Moraes manda refazer TAF e decisão sobre candidato com nanismo gera repercussão nacional

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acabou chamando atenção nessa terça-feira (17). Em resumo, ele determinou que o caso do jovem Matheus Matos, de 25 anos, seja revisto. O rapaz, que é de Goiás e tem nanismo, tinha sido eliminado no Teste de Aptidão Física (TAF) de um concurso para delegado da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). Agora, com essa nova decisão, ele ganha uma segunda chance — o pedido de adaptação do teste físico vai ser reavaliado.

Se, depois dessa análise, ficar comprovado que ele realmente precisava de uma prova adaptada, Matheus poderá refazer o exame. Claro, seguindo as demais regras do edital, como qualquer outro candidato. A medida não surgiu do nada. Ela segue um entendimento que o próprio STF já vinha adotando em outros casos parecidos, principalmente quando se trata de pessoas com deficiência em concursos públicos.

O ponto principal, segundo Moraes, é simples: não faz sentido exigir determinados testes físicos quando eles não são essenciais para o trabalho que será exercido. E isso abre um debate importante. No próprio edital do concurso, existem vagas para áreas mais técnicas, como perícia, onde atividades como barra fixa ou abdominal nem sempre são decisivas no dia a dia profissional. Ou seja, a cobrança pode acabar sendo desproporcional, dependendo da situação.

Nas redes sociais, Matheus não escondeu a emoção. Ele comemorou a decisão e escreveu algo bem direto: “Vai ter TAF adaptado sim, a mando do STF. Vai ter eu de volta para o concurso, sim”. Em outro trecho, ele também mostrou fé e esperança, dizendo que acredita que ainda vai conseguir seguir em frente e realizar o sonho de ser delegado.

E falando em sonho, essa história tem um peso maior. Matheus é formado em Direito e vinha se preparando há anos. Ele passou por todas as etapas do concurso, o que já não é fácil — quem já tentou sabe o quanto é puxado. Mas acabou barrado justamente no teste físico. Segundo ele, o problema foi a prova de salto horizontal, que exigia uma distância mínima de 1,65 metro. Ele não conseguiu atingir essa marca e acabou eliminado.

O detalhe que gerou revolta é que, mesmo concorrendo às vagas destinadas a pessoas com deficiência (PCD), ele fez o teste exatamente nas mesmas condições que os demais candidatos. Sem nenhuma adaptação. E isso, segundo especialistas e entidades, não deveria acontecer.

Depois que o caso ganhou repercussão, o Instituto Nacional de Nanismo (INN) também se manifestou. A entidade foi bem clara ao dizer que concursos públicos deveriam servir como porta de entrada, e não como barreira. Em outras palavras, o objetivo é incluir, não excluir.

Eles também lembraram que existe legislação no Brasil que garante isso. A própria Constituição, junto com normas internacionais e a Lei Brasileira de Inclusão, estabelece que o poder público tem o dever de fazer ajustes razoáveis. Isso inclui adaptar provas, avaliar cada caso de forma individual e eliminar obstáculos que impeçam a participação de pessoas com deficiência.

Mesmo diante da frustração, Matheus não desanimou. Ele chegou a dizer que não é o tamanho dele que vai definir até onde ele pode chegar. E, sinceramente, essa fala resume bem a situação. Ele insiste que lutou muito pra chegar até ali e que ainda acredita no objetivo.

Por outro lado, a Polícia Civil de Minas Gerais informou que ainda não foi oficialmente notificada sobre a decisão judicial. A banca responsável pelo concurso, a FGV, também disse praticamente a mesma coisa: que ainda não recebeu a comunicação formal, mas que vai tomar as medidas necessárias assim que isso acontecer.

Enquanto isso, o caso segue repercutindo e levantando discussões importantes sobre inclusão, igualdade e até bom senso nos critérios de seleção. Não é só sobre um candidato — é sobre um sistema inteiro que, muitas vezes, precisa ser ajustado pra ser mais justo.



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