A técnica agrícola Taís Simone Prado Leal, moradora de Petrolina, no interior de Pernambuco, passou a ser considerada foragida da Justiça depois de não cumprir medidas determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta sexta-feira (24). A decisão veio após, segundo o processo, ela deixar de atender ordens judiciais que faziam parte das medidas cautelares impostas contra ela.
Durante as investigações conduzidas pela Polícia Federal, os agentes analisaram aparelhos celulares ligados à investigada e encontraram uma série de informações que chamaram a atenção. Em um dos celulares, o aplicativo WhatsApp exibia uma foto de perfil com mensagem de apoio ao AI-5, o Ato Institucional nº 5, considerado um dos instrumentos mais duros do período da ditadura militar no Brasil. Além disso, a perícia identificou conversas com críticas e ataques direcionados ao ministro Alexandre de Moraes. Em uma das mensagens localizadas aparecia a frase “morte ao Xandão”, que acabou sendo incluída no conjunto de provas analisadas pelos investigadores.
As apurações também revelaram conteúdos armazenados em outro aparelho celular. Segundo a investigação, Taís teria participado da organização de acampamentos montados após as eleições presidenciais de 2022. As conversas mostram ainda tratativas para compra de materiais e planejamento da viagem até Brasília. Em alguns trechos das mensagens, ela também teria sugerido buscar apoio de CACs, grupo formado por colecionadores, atiradores esportivos e caçadores registrados, em discussões sobre uma possível retirada do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva do poder.
Outro ponto destacado pela Polícia Federal envolve os dados de localização do aparelho celular da investigada. A análise técnica indicou que ela esteve em Brasília nos dias 7 e 8 de janeiro de 2023, período em que ocorreram os ataques às sedes dos Três Poderes. Apesar disso, até o momento, não existe confirmação de que Taís tenha entrado ou participado diretamente da invasão dos prédios públicos naquele dia. A presença na capital federal, por si só, faz parte dos elementos considerados na investigação.
Em março de 2024, a técnica agrícola chegou a firmar um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com a Procuradoria-Geral da República (PGR). No documento, ela admitiu ter participado do acampamento instalado em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília. Esse tipo de acordo permite evitar um processo criminal em determinadas situações, desde que algumas condições sejam cumpridas pelo investigado.
No entanto, o benefício acabou sendo cancelado. De acordo com os autos, novas provas surgiram durante o andamento das investigações e indicariam que a atuação de Taís teria sido mais ampla do que a inicialmente informada quando o acordo foi assinado. Com isso, a PGR pediu a revogação do entendimento firmado anteriormente, pedido que foi aceito.
Já nesta sexta-feira (24), Alexandre de Moraes determinou a prisão preventiva da investigada. A decisão ocorreu porque, segundo o ministro, ela não compareceu para colocar a tornozeleira eletrônica, medida determinada pela Justiça, e também deixou de responder às tentativas de contato feitas pela Secretaria de Administração Penitenciária de Pernambuco.
Na decisão, Moraes afirmou que Taís teria, de forma consciente, deixado de cumprir as determinações impostas pelo Supremo Tribunal Federal. O ministro escreveu que ela agiu “deliberadamente desrespeitando as medidas cautelares impostas nestes autos”, justificando assim a conversão das medidas em prisão preventiva.
Até o momento, a defesa da técnica agrícola não havia se manifestado publicamente sobre a decisão. O caso continua sendo acompanhado pelas autoridades e novas diligências devem ocorrer nos próximos dias na tentativa de localizar a investigada e cumprir a ordem de prisão expedida pelo STF.
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