Um vídeo que passou a fazer parte das investigações da Polícia Civil de Mato Grosso trouxe um novo capítulo para a Operação Fariseus. Nas imagens, Rhavenna Almeida aparece cantando a música gospel Deus de Obras Completas, sucesso na voz da cantora Kemilly Santos. O registro foi encontrado em aparelhos eletrônicos apreendidos durante a investigação e agora integra o material analisado pelos policiais.
Enquanto canta, Rhavenna interpreta um trecho da canção que fala sobre fé, esperança e o cumprimento das promessas de Deus. Em determinado momento, a letra diz que “o Deus de obras completas vai fazer cumprir na hora certa”, uma mensagem bastante conhecida entre os fiéis evangélicos. Apesar do teor religioso da gravação, a polícia afirma que o vídeo ganhou importância por causa do contexto em que foi encontrado.
Segundo a Polícia Civil, Rhavenna é investigada por suspeita de manter ligação com integrantes do Comando Vermelho (CV). A apuração aponta que ela fazia parte do projeto Equipe Evangelismo Resgatando Vidas, iniciativa ligada à igreja onde seus pais atuam como pastores. Conforme os investigadores, esse projeto religioso teria sido usado para facilitar o contato com presos e também com pessoas foragidas da Justiça.
Outro ponto que chamou atenção durante a investigação é que Rhavenna seria companheira de Jonas Souza Gonçalvez Júnior, conhecido no meio criminoso pelo apelido de “Batman”. Ele é considerado foragido e apontado pelas autoridades como integrante da facção.
De acordo com os investigadores, o vídeo foi retirado de celulares e outros equipamentos eletrônicos apreendidos durante a Operação Fariseus, conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) em conjunto com a Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco). O material recolhido ainda está sendo analisado e pode servir como prova no andamento das investigações.
Além desse vídeo, os policiais encontraram diversas fotografias e outras gravações que, segundo eles, reforçam a suspeita de envolvimento da investigada com a organização criminosa. Em algumas imagens, Rhavenna aparece ao lado de pessoas identificadas como integrantes do Comando Vermelho em comunidades do Rio de Janeiro. Em outra fotografia, ela segura uma arma de fogo com acabamento dourado, fato que também passou a ser analisado pela equipe responsável pelo caso.
As investigações ainda apontam que familiares da investigada também aparecem em registros segurando fuzis e outros armamentos pesados. Para a polícia, esse conjunto de imagens fortalece a linha de investigação de que existiria uma ligação entre a família e integrantes da facção, indo além da atuação religiosa apresentada pelos envolvidos. Mesmo assim, o caso segue em andamento e todos os fatos ainda serão analisados pela Justiça.
A Operação Fariseus foi deflagrada nesta quinta-feira (16) e mira uma família suspeita de utilizar um projeto religioso como fachada para favorecer o Comando Vermelho. Segundo a Polícia Civil, os investigados aproveitavam o acesso permitido às unidades prisionais através das atividades missionárias para transmitir recados entre criminosos, aproximar parentes de detentos e oferecer apoio logístico à organização.
Durante a ação, foi cumprido um mandado de prisão preventiva, além de buscas e apreensões em diversos endereços. A Justiça também autorizou a quebra dos sigilos telefônico, bancário e telemático dos investigados. Outra medida determinada foi a proibição temporária de ingresso em presídios por meio de projetos religiosos enquanto as investigações continuam.
Os policiais também apuram um suposto esquema de lavagem de dinheiro. Conforme a investigação, valores atribuídos à facção criminosa eram movimentados por contas bancárias de parentes e terceiros para esconder a verdadeira origem do dinheiro. Parte desses recursos teria sido usada para compra de veículos, viagens e procedimentos estéticos.
Caso as suspeitas sejam confirmadas ao final do processo, os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção de menor e tortura. A Polícia Civil afirma que novas diligências ainda serão realizadas e que outras provas podem surgir nas próximas semanas.