Na última quinta-feira (18), em Brasília, rolou uma audiência na Comissão de Comunicação da Câmara dos Deputados que chamou bastante atenção. O ministro Sidônio Palmeira, responsável pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, foi explicar como o governo tem dividido as verbas publicitárias entre as grandes emissoras de televisão. O assunto não é novo, mas sempre levanta debates acalorados, ainda mais quando envolve gigantes como Globo, SBT e Record.
Palmeira contou que, só em 2025, já foram empenhados R$ 268 milhões em campanhas publicitárias espalhadas por diferentes meios de comunicação. Esse valor não é pequeno e, claro, desperta questionamentos sobre quem leva a maior fatia do bolo.
Durante a sessão, o deputado Junio do Amaral (PL-MG) foi direto ao ponto: quis saber porque a Globo recebe tanto mais que as outras emissoras. Ele citou dados de 2023, dizendo que a emissora carioca teria levado 17 vezes mais dinheiro que o SBT, que ficou em segundo lugar na lista dos gastos de publicidade federal.
O ministro não deixou barato. Disse que os números apresentados não correspondiam ao que de fato aconteceu e ainda lembrou que naquele período a Secom estava sob o comando do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), e não dele. Ou seja, meio que tirou o corpo fora, mas ao mesmo tempo procurou mostrar que não existe favorecimento específico para canal nenhum.
Os dados mais recentes, de 2024, mostram que a Globo realmente ficou com uma fatia maior, mas não na proporção dita pelo parlamentar. Segundo informações levadas à própria comissão, a emissora recebeu quatro vezes mais que a Record, que ficou em segundo lugar. O SBT apareceu logo atrás. E quando a gente olha a audiência, faz algum sentido: conforme o Painel Nacional de Televisão (PNT), a Globo fechou 2024 com média de 13 pontos, enquanto a Record ficou com 5,1 e o SBT com 3,4.
Palmeira, em sua fala, bateu bastante na tecla da audiência como principal critério. Ele disse textualmente: “não tenho compromisso com nenhuma agência ou veículo de comunicação. O critério foi, é e sempre será a audiência”. Em outras palavras, a lógica é simples: quem tem mais telespectador recebe mais verba, porque o governo quer alcançar o maior público possível com suas campanhas.
Mas, claro, isso não significa que não exista crítica. Até porque muitos enxergam na Globo uma espécie de “parceira histórica” de governos, e isso sempre levanta suspeitas de favorecimento. O ministro, no entanto, procurou deixar claro que não há preferência por jornal A ou B, canal X ou Y.
Ele ainda aproveitou para sugerir que o Tribunal de Contas da União (TCU) assuma o “controle total” sobre as licitações e contratos de publicidade. A ideia seria aumentar a transparência e evitar esse tipo de acusação política que, na prática, acaba virando combustível para embates entre governo e oposição.
Seja como for, a discussão sobre distribuição de verba publicitária não deve parar por aqui. Ainda mais num cenário em que a audiência das TVs abertas vem caindo e a galera migra cada vez mais para o streaming e redes sociais como TikTok e Instagram. Isso pode mudar, no futuro próximo, a forma como o governo pensa a comunicação. Afinal, não adianta gastar milhões se o público não está mais lá na frente da televisão.