Ministra do TSE interrompe julgamento de pesquisa desfavorável a Flávio Bolsonaro

O julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a decisão do ministro Nunes Marques, que suspendeu uma pesquisa da AtlasIntel considerada desfavorável ao senador Flávio Bolsonaro (PL), acabou sendo interrompido nesta terça-feira (9). A pausa aconteceu depois que a ministra Estela Aranha pediu vista do processo, ou seja, solicitou mais tempo para analisar os detalhes do caso antes de apresentar seu voto.

O assunto ganhou destaque porque envolve uma pesquisa eleitoral que apontou queda nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro. O levantamento foi divulgado pouco tempo depois da repercussão de conversas entre o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. As mensagens tratavam do financiamento do filme “Dark Horse”, produção que pretende contar a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Antes da interrupção do julgamento, o presidente do TSE e relator do caso já havia votado pela manutenção da decisão liminar concedida por Nunes Marques. Quando autorizou a suspensão da pesquisa, o ministro atendeu a um pedido feito pelo Partido Liberal (PL), legenda de Flávio Bolsonaro.

Na avaliação de Nunes Marques, existem indícios de que a metodologia utilizada pela AtlasIntel possa ter comprometido a imparcialidade dos resultados apresentados. Segundo ele, algumas perguntas e conteúdos exibidos aos entrevistados poderiam influenciar suas respostas de forma negativa.

Em sua decisão, o ministro afirmou que os elementos apresentados ao processo reforçam os sinais de possível comprometimento metodológico. Para ele, a discussão vai além de simples divergências técnicas sobre pesquisas eleitorais. O magistrado entende que existe a possibilidade de o questionário ter sido utilizado de maneira capaz de induzir opiniões dos participantes.

Outro ponto destacado por Nunes Marques foi a comparação com outras pesquisas registradas pela AtlasIntel no próprio TSE. De acordo com o ministro, ao analisar 27 levantamentos anteriores, ele não encontrou questionários semelhantes ao utilizado neste caso. Também chamou atenção o uso de áudios durante a pesquisa contestada, algo que não teria aparecido nos demais levantamentos examinados.

Com isso, a decisão liminar continua valendo até que o mérito da ação seja julgado definitivamente. Agora, a ministra Estela Aranha terá um prazo de até 90 dias para devolver o processo e permitir a retomada da análise.

Durante a sessão, representantes das duas partes apresentaram seus argumentos. O advogado da AtlasIntel, Gualter Rafael Maciel Bezerra, sustentou que a contestação feita pelo PL possui motivação política. Segundo ele, o partido não demonstrou falhas concretas na metodologia da pesquisa.

Para o defensor da empresa, a insatisfação estaria relacionada aos fatos políticos que envolveram Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro nas últimas semanas. Ele argumentou que não foi apresentada qualquer prova de que os entrevistados tenham sofrido influência indevida ao responder o questionário.

Já a advogada do Partido Liberal, Maria Claudia Bucchianeri, fez duras críticas ao levantamento. Ela afirmou que a pesquisa apresentou problemas metodológicos, utilizou técnicas de indução de respostas e ainda teria omitido informações relevantes sobre materiais exibidos aos participantes.

Segundo a defesa do PL, houve uso de estratégias conhecidas como “framing”, técnica que pode influenciar a percepção do entrevistado ao apresentar determinados assuntos antes das perguntas principais. Bucchianeri afirmou que Flávio Bolsonaro teria sido exposto repetidamente a temas ligados ao caso Banco Master antes de os participantes serem questionados sobre sua imagem pública.

Ela argumentou ainda que outros nomes citados na pesquisa, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o deputado Hugo Motta e o senador Davi Alcolumbre, não teriam passado pelo mesmo tipo de abordagem prévia.

Os números divulgados pela AtlasIntel ajudam a explicar a disputa em torno do levantamento. Em abril, um cenário de segundo turno mostrava Lula com 47,5% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 47,8%, caracterizando empate técnico.

No entanto, em uma nova pesquisa divulgada em 19 de maio, Lula apareceu com 48,9%, enquanto Flávio registrou 41,8%. O resultado indicou uma queda de aproximadamente seis pontos percentuais para o senador em comparação com o levantamento anterior.

Ao levar o caso ao TSE, o Partido Liberal alegou que a pesquisa seria fraudulenta, questionou a metodologia empregada e sustentou que o questionário foi estruturado de maneira a criar uma percepção negativa sobre Flávio Bolsonaro entre os entrevistados. A discussão agora seguirá aguardando a devolução do voto-vista para que o julgamento possa ser retomado pela Corte Eleitoral.



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