Michelle Bolsonaro vira “plano B” do PL caso candidatura de Flávio encontre obstáculos

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a ganhar força nos bastidores do Partido Liberal como possível nome para disputar a Presidência da República em 2026. A movimentação acontece em meio ao desgaste envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, que hoje segue como principal aposta do grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Dentro do PL, aliados mais próximos já começaram a tratar Michelle como uma espécie de “plano B”, caso a pré-candidatura de Flávio enfrente problemas maiores nos próximos meses. A conversa ganhou força principalmente depois da repercussão de uma reportagem publicada pelo Intercept Brasil nesta quarta-feira (13), envolvendo mensagens trocadas entre Flávio e o empresário Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master.

Segundo a publicação, as conversas tratavam do financiamento do filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória política de Jair Bolsonaro. O valor do contrato teria chegado a US$ 24 milhões, algo perto de R$ 134 milhões na cotação daquele período. Apesar do número milionário, parte do dinheiro teria sido liberada aos poucos e cerca de R$ 61 milhões chegaram efetivamente para a produção do longa.

O assunto caiu como uma bomba dentro do partido. Integrantes da legenda avaliam que a repercussão negativa pode acabar prejudicando a imagem de Flávio antes mesmo do início oficial da campanha eleitoral. E não é segredo que o PL tenta evitar qualquer novo desgaste depois das recentes crises envolvendo nomes próximos do bolsonarismo.

Outro ponto que aumentou a tensão foi a divulgação de um áudio enviado por Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro pouco antes da prisão do empresário na Operação Compliance Zero, realizada pela Polícia Federal no ano passado. Nos bastidores de Brasília, muita gente passou a comentar que o episódio pode virar munição política para adversários durante a corrida eleitoral.

Com isso, o nome de Michelle voltou pro centro das discussões. Parte dos bolsonaristas acredita que ela conseguiria manter o eleitorado conservador unido sem carregar o mesmo peso das polêmicas judiciais que rondam outros nomes do grupo. Além disso, Michelle continua tendo forte presença nas redes sociais e costuma mobilizar apoiadores em eventos religiosos e encontros políticos pelo país.

Tem gente dentro do partido que enxerga nela uma candidatura mais “leve”, principalmente para tentar dialogar com mulheres e eleitores evangélicos, um público considerado estratégico pro PL. Nas últimas semanas, inclusive, aliados mais próximos passaram a defender que ela teria potencial para crescer rapidamente numa campanha nacional, caso seja oficialmente lançada.

Hoje, Michelle é tratada como pré-candidata ao Senado pelo Distrito Federal. Só que existe um detalhe importante nessa história: como ela não ocupa cargo público atualmente, não precisaria deixar função nenhuma para entrar na disputa presidencial. Isso facilita bastante uma mudança de planos de última hora.

Já o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, por exemplo, teria que renunciar ao cargo até abril para poder concorrer ao Palácio do Planalto. Esse cenário faz com que dirigentes do PL analisem alternativas consideradas mais simples e imediatas.

Apesar de toda essa movimentação, Flávio Bolsonaro segue sendo o nome oficial do grupo até agora. Publicamente, aliados evitam falar em troca de candidato, mas nos corredores de Brasília o clima já é de cautela. Muita gente prefere esperar os próximos desdobramentos das investigações e da repercussão política antes de bater o martelo.

A decisão definitiva deve acontecer apenas durante as convenções partidárias de 2026, previstas entre os dias 20 de julho e 5 de agosto. Até lá, o cenário ainda pode mudar bastante, como costuma acontecer na política brasileira, onde alianças, estratégias e até candidaturas mudam de rumo quase da noite pro dia.



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