O presidente Luiz Inácio Lula da Silva procurou atendimento médico nesta semana, depois de relatar episódios de tontura e sensação de que tudo ao redor estava girando. Após ser examinado em um hospital de Brasília, os médicos diagnosticaram o presidente com labirintite. A notícia rapidamente ganhou repercussão nas redes e nos jornais, com muita gente se perguntando o que exatamente significa esse tal de “labirintite”, que volta e meia aparece quando alguém famoso passa mal.
Para explicar melhor o caso, o neurologista Dr. Saulo Nader, conhecido por atuar com distúrbios do equilíbrio e com muitos seguidores nas redes sociais, resolveu comentar o diagnóstico dado a Lula. Segundo ele, o termo labirintite é meio que uma “palavra guarda-chuva”, usada com frequência porque é fácil de entender, mas na real pode englobar um monte de condições diferentes.
“O boletim médico falou em labirintite, mas isso é meio genérico, sabe? É uma palavra que todo mundo conhece, então facilita a comunicação com o público. Só que, na prática médica, tem dezenas de causas possíveis pra vertigem, e nem todas tem a ver com o labirinto do ouvido”, explicou Nader.
O doutor também deixou um alerta importante: usar esse rótulo genérico pode atrapalhar, porque mascara outros diagnósticos mais específicos. Segundo ele, nem sempre a tontura vem do ouvido interno. Pode ser por enxaqueca, problema neurológico, e até do coração. “A vertigem é um sintoma, não um diagnóstico em si. Tratar sem saber a origem é dar um tiro no escuro — e pode atrasar a melhora do paciente ou pior: esconder algo mais grave”, destacou.
Possíveis causas da vertigem do presidente
O médico também explicou melhor o que é vertigem: uma sensação estranha de movimento, como se o ambiente estivesse girando ou você estivesse num barco em mar agitado. “É como se o corpo perdesse a referência de equilíbrio”, disse ele.
E olha só, o episódio pode estar ligado a um fato já conhecido: a queda que Lula sofreu em outubro de 2024, quando bateu a cabeça. Na época, ele teve um leve trauma craniano, e isso, segundo o especialista, pode ter mexido com os chamados “cristais” do ouvido interno — estruturas minúsculas que ajudam a gente a manter o equilíbrio.
“Quando esses cristais se soltam, a pessoa começa a ter crises de vertigem, principalmente quando muda de posição. Isso chama-se VPPB (Vertigem Posicional Paroxística Benigna). É relativamente comum, e apesar do nome complicado, tem tratamento simples. Com algumas manobras específicas — nada de remédio — o problema pode ser resolvido em poucos dias”, afirmou o médico.
Mesmo sendo mais comum que isso apareça logo após o trauma, existem casos em que esses cristais se deslocam semanas ou até meses depois, o que encaixa no quadro do presidente agora.
Ainda assim, o doutor ressaltou que outros fatores não podem ser descartados. “A gente também precisa pensar em causas mais sérias, como sangramento cerebral ou AVCs silenciosos. Mas, claro, isso só pode ser confirmado com exames de imagem e acompanhamento médico de perto”.
No fim das contas, a vertigem é algo que pode atingir qualquer um, e nem sempre significa algo grave. Mas quando acontece com uma figura pública como Lula, vira notícia — e serve também de alerta pra população sobre a importância de investigar sintomas que parecem simples, mas podem ter várias explicações por trás.