Manifestação de alunos da USP tem confusão; vereadores são agredidos

Conflitos na USP: estudantes enfrentam violência em protesto

Na tarde de segunda-feira, dia 11, a Universidade de São Paulo (USP) foi cenário de uma nova manifestação de alunos que terminou em tumulto e agressões. O clima já estava tenso após uma ação policial controversa para desocupar a reitoria da universidade, ocorrida no último domingo, dia 10. Essa ação, que muitos estudantes descreveram como violenta, gerou uma onda de revolta entre os alunos e culminou em um protesto no Centro de São Paulo, na Praça da República.

Agressões e reações

Durante o protesto, o vereador Adrilles Jorge, do partido União, foi filmado sendo agredido por estudantes. O vídeo, que rapidamente se espalhou pelas redes sociais, mostra Adrilles criticando a greve e afirmando que “paga para eles estudarem”. Nesse momento, ele é atingido por um chute, enquanto tenta se defender do ataque verbal e físico. Em meio à confusão, ele exclamou: “Você enlouqueceu, rapaz? Vagabund*! Violento!”.

Não só Adrilles, mas o vereador Rubinho Nunes, também do União, foi agredido durante a manifestação. Ele estava presente com sua equipe, com a intenção de dialogar com os estudantes, mas acabou se envolvendo em um confronto. Informações da assessoria de Rubinho relatam que ele sofreu ferimentos no rosto e foi levado ao Hospital São Luiz Morumbi, onde constatou-se uma fratura no nariz. Em sua declaração sobre o ocorrido, Rubinho criticou o ambiente de radicalismo e intolerância que tomou conta do protesto, afirmando que a democracia não pode ser sustentada por intimidações e violência.

Contexto da manifestação

Essa manifestação foi organizada por alunos de três universidades estaduais paulistas e começou por volta das 13h, em frente ao Cruesp, o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas. A ação da polícia durante a desocupação da reitoria, que ocorreu enquanto muitos estudantes estavam dormindo, foi relatada como “absurdamente violenta” por Rael Brito de Paula, um dos estudantes da USP. Ele mencionou que a ocupação começou na última quinta-feira, dia 7, como uma forma de protesto por questões relacionadas à vida estudantil e salários de servidores, e que não havia sinais de violência ou ameaça por parte dos manifestantes.

Relatos de violência

Rael descreveu como a Tropa de Choque cercou o prédio da reitoria no início da madrugada, forçando os estudantes a se recolherem em um saguão fechado, onde, segundo ele, as agressões começaram. Em sua visão, a ação da polícia demonstra um desprezo pela democracia e pelo diálogo, afirmando que a reitoria deve ser responsabilizada e que uma mesa de negociação deve ser aberta. Rael lamentou que a ocupação, que era pacífica e incluía programação cultural e assembleias democráticas, foi interrompida de forma tão violenta.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) se manifestou sobre o incidente, afirmando que a PM estava apenas cumprindo sua função de desocupar o local e que não houve feridos, embora a versão dos estudantes contradiga essa afirmação. A SSP também mencionou danos ao patrimônio público no prédio da reitoria, levantando mais questões sobre o uso da força policial em situações de protesto.

Reflexões e futuro

Esse episódio na USP acende um debate importante sobre a relação entre a polícia e os movimentos estudantis, bem como sobre o papel das universidades como espaços de liberdade de expressão e protesto. É fundamental que as instituições de ensino busquem formas de diálogo e resolução pacífica de conflitos, garantindo que as vozes dos estudantes sejam ouvidas e respeitadas. A luta por melhores condições de ensino e apoio aos alunos mais vulneráveis deve ser uma prioridade, e não pode ser silenciada pela violência.

À medida que a situação continua a se desenvolver, é essencial que todos os envolvidos reflitam sobre os métodos de protesto e a necessidade de um espaço seguro e democrático para a discussão de ideias e reivindicações. A sensação de insegurança e o trauma psicológico causados pela violência policial não devem ser subestimados, e é imperativo que se busque uma solução que priorize a paz e o respeito mútuo.



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