Na manhã desta quarta-feira (14), o pastor Silas Malafaia voltou a agitar o debate político nas redes sociais ao publicar um vídeo contundente contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em tom exaltado, o líder evangélico questiona se o magistrado “quer matar Jair Bolsonaro”, ao negar, segundo ele, diversos pedidos de prisão domiciliar feitos pela defesa do ex-presidente.
No vídeo, que rapidamente se espalhou por grupos de WhatsApp, Telegram e perfis alinhados à direita, Malafaia afirma que Bolsonaro enfrenta uma condição de saúde delicada, agravada desde o atentado sofrido em 2018, quando foi esfaqueado durante a campanha presidencial, em Juiz de Fora (MG). Para o pastor, esse histórico deveria ser levado em conta pelas autoridades, o que, em sua avaliação, não vem acontecendo.
Malafaia também levanta suspeitas sobre a investigação do atentado. Segundo ele, se a vítima fosse um político ligado à esquerda, o caso teria sido aprofundado e os possíveis mandantes identificados. “Como é Bolsonaro, deixaram pra lá”, sugere, sem apresentar provas, mas reforçando um discurso que já ecoa entre apoiadores do ex-presidente há anos.
Outro ponto destacado no pronunciamento foi a sindicância do Conselho Federal de Medicina (CFM), que teria questionado o atendimento médico recebido por Bolsonaro no dia 6 de janeiro, quando ele foi encontrado desacordado em uma cela da Polícia Federal. De acordo com Malafaia, Alexandre de Moraes não autorizou que a apuração avançasse, o que, para ele, representa uma afronta direta às normas que regem a atuação médica no país.
Em um dos trechos mais duros do vídeo, o pastor dispara: “O ditador da toga, Alexandre de Moraes, não respeita lei nenhuma. Isso é marca de ditador. Todos os médicos estão sujeitos ao Conselho Federal de Medicina, e impedir essa sindicância é um absurdo”. A fala, como era de se esperar, gerou forte repercussão e dividiu opiniões nas redes sociais.
Malafaia ainda resgatou o caso de Cleriston Pereira da Cunha, conhecido como Clezão, que morreu em novembro de 2023, aos 46 anos, após sofrer um mal súbito enquanto cumpria prisão no Complexo da Papuda, em Brasília. Clezão, que também respondia por envolvimento nos atos de 8 de janeiro, tinha problemas de saúde e, mesmo assim, teve pedidos de liberdade ou prisão domiciliar negados. Para o pastor, o episódio demonstra um padrão de desumanização no tratamento dado a determinados presos.
“Gente, Bolsonaro foi encontrado desmaiado dentro de uma sala trancada da Polícia Federal. Isso é muito grave. Estamos falando de um ex-presidente da República, uma pessoa com histórico médico complicado. Ele precisa, sim, de tratamento especial”, afirmou Malafaia, em tom alarmado.
Na reta final do vídeo, o líder religioso faz uma comparação que inflamou ainda mais o debate: a concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente Fernando Collor de Mello. Segundo Malafaia, Collor teria problemas de saúde menos graves do que os de Bolsonaro, mas, ainda assim, teve o direito de cumprir pena em casa autorizado pela Justiça.
ALEXANDRE DE MORAES QUER MATAR BOLSONARO? pic.twitter.com/uVTXYSSnWG
— Silas Malafaia (@PastorMalafaia) January 14, 2026
A fala de Malafaia ocorre em um momento de forte tensão política e jurídica no país, com decisões do STF sendo constantemente questionadas por figuras públicas e influenciadores. Enquanto apoiadores de Bolsonaro veem perseguição e abuso de poder, críticos do ex-presidente acusam Malafaia de usar a fé e a comoção popular para pressionar o Judiciário.
O fato é que o vídeo reacendeu uma discussão que está longe de acabar: até onde vai o rigor da lei e onde começa a necessidade de humanidade nas decisões judiciais. Nesse cenário polarizado, cada declaração vira combustível para mais um capítulo da crise política brasileira.