Mãe de Eliza Samúdio relembra sofrimento e cita prisão de Bruno Fernandes

A nova prisão do ex-goleiro Bruno Fernandes voltou a colocar o caso Eliza Samúdio no centro das discussões nesta sexta-feira (08). Quem falou pela primeira vez sobre o assunto foi Sônia Moura, mãe de Eliza, que abriu o coração ao comentar o sofrimento que carrega há mais de 15 anos. Mesmo depois de tanto tempo, ela contou que ainda vive com a dor de nunca ter conseguido encontrar o corpo da filha para fazer um enterro digno.

Durante a entrevista, Sônia demonstrou um misto de tristeza, revolta e até um certo cansaço emocional. Segundo ela, Bruno não precisaria estar passando por uma nova prisão se tivesse seguido corretamente as regras impostas pela Justiça no período em que estava em liberdade condicional.

“Ele não precisava passar por isso. Era só cumprir o que a Justiça determinou”, afirmou. Ela ainda aproveitou para mandar um recado pra outras famílias que enfrentam situações parecidas. Disse que, mesmo com toda demora, as pessoas não devem desistir de lutar por Justiça. E sinceramente, dá pra entender o motivo dessa fala dela. O caso já atravessou anos, governos, mudanças no país e continua deixando marcas profundas.

Bruno foi preso novamente na noite de quinta-feira (07), em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. Segundo informações da Vara de Execuções Penais, ele era considerado foragido havia quase dois meses após descumprir várias medidas impostas pela Justiça.

Entre as irregularidades apontadas estão viagens sem autorização judicial, ida ao Acre sem permissão, falta de atualização do endereço por anos e até descumprimento de horários de recolhimento. O Ministério Público do Rio também informou que o ex-jogador deixou de retornar ao regime semiaberto quando deveria.

Mas apesar da nova prisão ter repercutido bastante nas redes sociais, Sônia deixou claro que isso não muda a principal dor que ela carrega desde 2010. Em um dos trechos mais emocionantes da entrevista, ela afirmou que ainda sonha em encontrar o corpo de Eliza Samúdio.

“A prisão não vai trazer minha filha de volta. O melhor seria encontrar o corpo dela”, disse.

A fala mais forte veio logo depois, quando ela resumiu tudo o que sente em uma frase curta, mas pesada: “Minha filha foi descartada igual lixo”. A declaração acabou chocando muita gente na internet e rapidamente viralizou em páginas de notícia e perfis que acompanham casos criminais.

Sônia também aproveitou o momento para comentar sobre o aumento dos casos de violência contra mulheres no Brasil. Ela citou feminicídios, violência doméstica e até abuso infantil como problemas que continuam crescendo no país. Segundo ela, muitas famílias acabam desistindo por medo ou pela demora dos processos, mas reforçou que é importante continuar denunciando.

Ela pediu para que as pessoas ajudem a Justiça com provas, denúncias e informações que possam fortalecer investigações. “Os números estão estrondosos”, comentou durante a conversa.

O caso Eliza Samúdio continua sendo um dos crimes mais conhecidos do Brasil. Na época, o desaparecimento da jovem ganhou repercussão internacional e dominou os noticiários durante meses. As investigações apontaram que Eliza foi morta após cobrar de Bruno o reconhecimento da paternidade do filho que tiveram juntos.

Em 2013, Bruno Fernandes acabou condenado a mais de 22 anos de prisão por homicídio, ocultação de cadáver, sequestro e cárcere privado. Mesmo assim, o corpo de Eliza nunca foi encontrado, algo que até hoje atormenta a família.

Nos últimos anos, Bruno chegou a conseguir progressão de pena, passou pelo regime semiaberto e recebeu liberdade condicional em 2023. Só que agora, após os novos descumprimentos, voltou novamente para a prisão.

Enquanto isso, Sônia Moura segue convivendo com uma dor que parece não ter fim. E talvez seja exatamente isso que mais tenha chamado atenção nessa nova entrevista: depois de tantos anos, a ferida continua aberta.



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