O nome de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, voltou a circular com força nos bastidores de Brasília e nas manchetes nos últimos dias. Filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele agora passou a ter um advogado oficialmente constituído para acompanhá-lo nas investigações da chamada Operação Sem Desconto, que apura um suposto esquema de fraudes envolvendo benefícios do INSS, conhecido informalmente como a “Farra do INSS”.
Até então, Lulinha vinha dizendo que não precisava de defesa formal porque, segundo ele, não figurava como investigado direto no caso. A situação mudou. A partir desta semana, a defesa ficará a cargo do criminalista Guilherme Suguimori Santos, que já protocolou pedido no Supremo Tribunal Federal para ter acesso ao inquérito que corre sob sigilo. O advogado afirma que, no momento, trabalha praticamente no escuro.
“A nossa ideia é saber o que está neste inquérito que tem motivado essas diversas manifestações da imprensa”, declarou Suguimori. Segundo ele, sem acesso aos autos, qualquer atuação fica limitada. O próprio advogado resumiu a situação dizendo que atua “às cegas”, aguardando uma liberação do STF para entender exatamente o que está sendo imputado ao seu cliente.
A investigação aponta Lulinha como possível sócio oculto do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido nacionalmente como o “Careca do INSS”. Antunes é apontado como uma das peças-chave do esquema que desviava recursos ligados a benefícios previdenciários. Um dos pontos que mais chamaram atenção dos investigadores é a suspeita de que Lulinha teria recebido uma espécie de mesada mensal no valor de R$ 300 mil.
Mensagens analisadas pela Polícia Federal reforçam essa linha de apuração. Em conversas atribuídas ao lobista, há referências explícitas ao repasse de dinheiro. Em um dos diálogos, Antunes menciona a necessidade de separar “R$ 300 mil para o filho do rapaz”, frase que, segundo a PF, seria uma alusão direta a Lulinha. O mesmo valor aparece repetidas vezes nos relatórios enviados ao Supremo.
Outro detalhe que pesou na investigação foi a revelação de que o Careca do INSS enviou um medicamento para o apartamento de Lulinha, em São Paulo, em dezembro de 2024. A encomenda estava endereçada à esposa do empresário. Procurado anteriormente, Lulinha negou manter qualquer relação próxima com Antunes, o que agora é colocado em dúvida pelos investigadores.
Além disso, um ex-funcionário do lobista prestou depoimento afirmando que Lulinha recebia regularmente valores em dinheiro. A PF também apura viagens feitas pelo filho do presidente junto com a empresária Roberta Luchsinger, em deslocamentos entre Brasília e São Paulo. As datas e os registros dessas viagens coincidem com momentos citados nas trocas de mensagens analisadas.
O caso surge em um momento politicamente sensível, com o governo federal já enfrentando desgaste em outras frentes e sob pressão constante da oposição. Mesmo aliados admitem, reservadamente, que a simples citação do nome de um filho do presidente em um escândalo envolvendo o INSS gera ruído e alimenta narrativas nas redes sociais, onde o assunto já viralizou.
A defesa de Lulinha reforça que ele nega qualquer irregularidade e que tudo só poderá ser esclarecido quando houver acesso completo ao inquérito. Até lá, o clima é de expectativa e cautela. Nos corredores de Brasília, a avaliação é que o caso ainda deve render novos capítulos, especialmente após a análise detalhada do material que está nas mãos do Supremo Tribunal Federal.
Por enquanto, o que existe são indícios, versões conflitantes e muitas perguntas sem resposta. E, como costuma acontecer em investigações desse porte, o silêncio oficial acaba falando tão alto quanto as acusações.