O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou nesta quinta-feira (21) uma ideia que chegou a ser discutida pelo governo federal envolvendo celulares roubados espalhados pelo país. Durante um evento em Aracruz, no Espírito Santo, Lula contou que pensou em mandar mensagens automáticas para aparelhos que já aparecem no cadastro nacional como produtos de roubo ou furto. A proposta, segundo ele, era simples, direta e até meio dura.
A mensagem seria enviada para cerca de 2,5 milhões de celulares cadastrados nessa situação. No texto, o usuário receberia um aviso dizendo que estava usando um aparelho roubado e que deveria procurar uma delegacia para fazer a entrega. Caso contrário, poderia até responder criminalmente. O presidente explicou que a intenção inicial era apertar o cerco contra o comércio ilegal de celulares, algo que virou um problemão em várias cidades brasileiras nos últimos anos.
Segundo Lula, a mensagem teria um tom firme. Ele até reproduziu parte do que imaginava enviar. Algo como: “se você roubou, devolva que não vai ter problema. Mas se comprou também precisa devolver, senão pode ser indiciado”. A fala chamou atenção nas redes sociais e acabou repercutindo bastante logo depois do evento.
Mesmo assim, o presidente afirmou que voltou atrás depois de pensar melhor na situação de pessoas que compraram aparelhos sem saber da origem ilegal. Muita gente, principalmente quem compra celular usado pela internet ou em lojas pequenas, acaba adquirindo um produto sem imaginar que ele foi roubado anteriormente. E foi justamente esse ponto que fez Lula desistir da ideia naquele momento.
Durante o discurso, o petista deixou claro que não queria atingir quem agiu de boa-fé. Ele afirmou que o foco deveria ser os criminosos que roubam aparelhos e também estabelecimentos que compram e revendem produtos furtados. Na avaliação dele, seria injusto tratar da mesma maneira quem participou do crime e quem apenas comprou um telefone mais barato sem conhecer a procedência.
– Eu só quero prejudicar quem roubou e quem vende produto roubado – afirmou o presidente diante do público presente no evento.
Lula também comentou que agir apenas como “policial” não resolveria totalmente o problema. Segundo ele, é preciso olhar a realidade das pessoas que muitas vezes compram aparelhos usados por necessidade financeira. O presidente falou que prefere agir de maneira mais humana antes de tomar uma decisão desse tamanho. A declaração arrancou aplausos de parte da plateia.
As falas aconteceram durante a cerimônia da 6ª Teia Nacional de Pontos de Cultura, realizada em Aracruz, no Espírito Santo. O evento contou ainda com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes, além de representantes culturais de várias regiões do país.
Nos últimos meses, o governo federal vem tentando reforçar medidas contra o roubo de celulares, principalmente por conta do aumento desse tipo de crime em grandes capitais. Programas de bloqueio de aparelhos e rastreamento já foram anunciados anteriormente pelo Ministério da Justiça. O assunto ganhou ainda mais força depois que diversos vídeos mostrando roubos rápidos em semáforos viralizaram nas redes sociais.
Mesmo sem confirmar se a medida poderá voltar a ser discutida futuramente, Lula indicou que o governo ainda busca alternativas para diminuir o mercado clandestino de celulares roubados no Brasil. Enquanto isso, a declaração acabou dividindo opiniões na internet. Alguns internautas defenderam a ideia por considerar uma forma mais pesada de combater criminosos. Outros já entenderam que pessoas inocentes poderiam acabar sendo prejudicadas no processo.