Lula quebra protocolo e fala sobre fim do auxílio para famílias de presos: ‘Vai pagar”

Quando sancionou o chamado PL Antifacção, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acabou mantendo um dos trechos mais polêmicos — e, pra muita gente, também um dos mais duros da proposta. A parte em questão trata diretamente do auxílio-reclusão, aquele benefício pago aos dependentes de presos. Com a nova regra, esse pagamento fica proibido nos casos em que o detento tenha ligação com organizações criminosas consideradas ultraviolentas, milícias privadas ou até grupos paramilitares.

O texto, que já tinha sido aprovado pela Câmara dos Deputados do Brasil, foi sancionado na terça-feira (24/3) e trouxe mudanças que mexem bastante com a forma como o Estado lida com esse tipo de situação. Basicamente, a nova lei impede que familiares de pessoas presas — seja em prisão provisória ou já cumprindo pena em regime fechado ou semiaberto — recebam o benefício, desde que o crime esteja ligado a essas organizações.

Na prática, isso quer dizer que não importa se a pessoa ainda não foi condenada definitivamente: se houver indícios de envolvimento com esse tipo de grupo, o auxílio pode ser negado. E aí é que começa o debate… Tem gente que vê como justiça, outros já acham que pode acabar atingindo quem não tem nada a ver com o crime em si, como filhos e companheiros.

Durante o anúncio, Lula falou de forma bem direta, sem muito rodeio. Segundo ele, a ideia é fazer com que quem comete crime também perceba o impacto das próprias escolhas dentro de casa. Em outras palavras, o presidente deixou claro que a intenção é endurecer mesmo.

“O cidadão que quiser cometer os seus crimes, ele saiba que seus filhos e sua esposa irão pagar pela irresponsabilidade dele”, disse. E completou dizendo que considera a medida “muito relevante”, justamente por atingir não só o indivíduo, mas também o núcleo familiar. É um discurso forte, que deve repercutir ainda por um bom tempo.

Mas não foi só isso que entrou na nova legislação. Lula também manteve uma mudança no Código Eleitoral que proíbe presos provisórios de votar. Esse ponto, inclusive, já vinha sendo discutido há anos e sempre gerava divergências. Agora, com a sanção, passa a valer de forma mais clara dentro do novo pacote.

Esse conjunto de medidas faz parte do chamado Marco Legal de Combate ao Crime Organizado — uma espécie de pacote mais amplo, com regras mais rígidas para quem atua nesse tipo de estrutura criminosa. A proposta, no geral, tenta apertar o cerco contra facções e grupos que operam com violência extrema, algo que tem sido tema frequente no noticiário, principalmente por conta do avanço dessas organizações em várias regiões do país.

Por outro lado, nem tudo que veio do Congresso foi aceito sem mudanças. O presidente decidiu vetar alguns trechos do projeto. Um deles previa a equiparação de penas entre integrantes e não integrantes de organizações criminosas em determinados crimes. Na avaliação do governo, isso poderia gerar distorções jurídicas e até injustiças na aplicação da lei.

Outro ponto barrado envolvia dinheiro — e bastante. Havia uma previsão de destinar bens e valores apreendidos do crime organizado diretamente para fundos estaduais e do Distrito Federal. Só que isso, segundo o Planalto, poderia causar perda de receita para a União. E aí, claro, pesou a questão orçamentária.

No fim das contas, o que se vê é mais um capítulo na tentativa de endurecer as leis contra o crime organizado no Brasil. Se vai funcionar na prática, ainda é cedo pra dizer. Mas uma coisa é certa: o debate tá longe de acabar, e provavelmente ainda vai render muita discussão nos próximos meses… talvez até anos.



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