Lula perde a paciência com Toffoli e manda forte recado para ministro

O clima entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, não anda dos melhores. Pelo menos é o que relatam pessoas próximas ao chefe do Executivo, ouvidas pela Folha de S.Paulo. Segundo esses bastidores, Lula teria ficado visivelmente incomodado com a forma como Toffoli vem conduzindo o inquérito que investiga o Banco Master, caso que segue cercado de sigilo e desconfianças.

De acordo com essas fontes, o presidente não economizou nas críticas. Em conversas reservadas, Lula teria dito que Toffoli deveria até cogitar deixar a Suprema Corte, tamanha a insatisfação com os rumos da investigação. Não é pouca coisa, ainda mais considerando que foi o próprio Lula quem indicou o ministro ao STF, lá atrás, em 2009. A relação entre os dois, que nunca foi exatamente calorosa, parece ter azedado de vez agora.

O principal ponto de incômodo estaria ligado às revelações recentes sobre vínculos de familiares de Toffoli com fundos relacionados ao Banco Master. Esse detalhe caiu como uma bomba no Planalto. Soma-se a isso o nível de sigilo imposto ao inquérito, visto por aliados do presidente como excessivo. Nos bastidores, a palavra “pizza” voltou a circular — aquela velha expressão brasileira para casos que começam grandes e terminam em nada. Para alguns petistas, o medo é justamente esse: que o caso acabe sem responsabilização real.

Em dezembro, tentando manter as aparências (ou talvez buscar garantias), Lula se reuniu com Toffoli no Palácio do Planalto. O encontro foi descrito como cordial, quase protocolar. Nada de bate-boca ou clima pesado, ao menos oficialmente. Na conversa, Lula teria sido direto: disse esperar que todas as irregularidades fossem investigadas até o fim, doa a quem doer. Toffoli, por sua vez, garantiu que não haveria qualquer tipo de blindagem ou abafamento.

Mesmo assim, a desconfiança permaneceu. Pessoas próximas ao presidente dizem que Lula saiu da reunião pouco convencido. O histórico entre os dois pesa. Apesar do tom respeitoso, ficou aquela sensação de conversa mal resolvida, sabe? Algo que não se diz, mas fica no ar.

Do lado de Toffoli, a postura é de firmeza. O ministro tem afirmado a interlocutores que não existe motivo legal ou ético para deixar a relatoria do processo. Segundo ele, não há impedimentos que comprometam sua imparcialidade. Também descarta qualquer ligação entre sua atuação no caso e viagens, contatos pessoais ou negócios envolvendo familiares. Para Toffoli, tudo isso estaria sendo explorado politicamente, num momento em que o Judiciário vive pressão constante, inclusive nas redes sociais.

Vale lembrar que Lula carrega mágoas antigas em relação ao ministro. Uma das mais lembradas aconteceu em 2019, quando Toffoli negou autorização para que Lula, então preso em Curitiba, fosse ao velório do irmão. Na época, o episódio gerou revolta entre aliados e marcou profundamente o presidente. O assunto só foi revisitado anos depois, em 2022, quando Toffoli pediu desculpas a Lula após a vitória eleitoral. Mesmo assim, para quem acompanha de perto, certas feridas não cicatrizam tão fácil.

Em meio a um cenário político já turbulento, com debates sobre autonomia do STF, pressões do Congresso e críticas vindas de todos os lados, o caso Banco Master virou mais um foco de tensão. E, goste-se ou não, o desconforto entre Lula e Toffoli expõe algo maior: a dificuldade de separar, na prática, relações pessoais, decisões institucionais e interesses políticos num Brasil cada vez mais polarizado. O desfecho desse inquérito, seja qual for, promete ainda render muita conversa — e talvez mais ruídos do que esclarecimentos.



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