Depois de fazer a primeira declaração pública sobre a prisão de Jair Bolsonaro — assunto que dominou o noticiário durante todo o fim de semana — o presidente Lula voltou a tocar no tema, mas desta vez comentando a reação de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos. Trump, ao ser questionado por repórteres americanos sobre o ocorrido no Brasil, classificou a situação como “uma pena”, demonstrando certo incômodo, embora sem entrar muito no mérito.
Lula, no entanto, tratou de diminuir o impacto das falas do líder norte-americano. Segundo o presidente brasileiro, a opinião de Trump não altera em absolutamente nada a relação entre os dois países. “Acho que não tem nada a ver. O Trump tem que saber que somos um país soberano e que nossa Justiça decide. E o que é decidido aqui, tá decidido”, comentou ele, num tom firme, mas aparentando evitar qualquer desgaste diplomático — algo que, convenhamos, o governo brasileiro não quer neste momento, especialmente com tantas negociações internacionais acontecendo, como a COP que se aproxima.
A fala de Trump aconteceu no último sábado, 22 de agosto. Ele estava saindo de um evento fechado quando jornalistas perguntaram sobre a prisão preventiva de Bolsonaro, decretada pelo Supremo Tribunal Federal. Trump pareceu surpreso com a informação, respondeu meio às pressas, dizendo: “Não, eu não sei nada sobre isso. Eu não ouvi sobre isso. Foi isso que aconteceu? É uma pena, uma pena, eu só acho que é uma pena.” A declaração repercutiu bastante, sobretudo nas redes sociais, onde apoiadores do ex-presidente brasileiro tentaram usar as palavras de Trump como sinal de apoio internacional.
A decisão que levou Bolsonaro à prisão preventiva foi tomada após o STF identificar violação da tornozeleira eletrônica e risco de fuga — um detalhe que reacendeu debates acalorados sobre responsabilização de ex-chefes de Estado. O episódio também levantou comparações com casos internacionais, como o próprio processo que Trump enfrenta nos EUA, criando uma espécie de espelho político entre os dois países.
Outro ponto curioso dessa história é que, no mês de outubro, Trump havia mandado felicitações de aniversário para Lula. O gesto parecia sinalizar uma tentativa de aproximação ou, pelo menos, de cordialidade entre os dois líderes — algo incomum, considerando que Trump sempre demonstrou maior proximidade ideológica com Bolsonaro. Essa troca de mensagens, inclusive, deu muito pano pra manga na imprensa americana, que já vinha especulando sobre eventuais reposicionamentos diplomáticos.
Em entrevistas recentes, Lula até comentou esse encontro que teve com Trump. Segundo ele, o ex-presidente americano sabe que “rei morto, rei posto”, afirmando que Bolsonaro faz parte do passado da política brasileira. Lula chegou a brincar dizendo que, depois de três reuniões com ele, Trump perceberia que o antigo aliado não tinha tanta relevância assim. A declaração, meio irônica, meio provocativa, caiu rapidamente nas redes, gerando reações diversas — como sempre.
Lula também relatou que contou a Trump a gravidade do que teria sido planejado no Brasil, mencionando supostos planos para atacar autoridades como o próprio presidente, seu vice e o ministro Alexandre de Moraes. Segundo ele, era importante que Trump entendesse o tamanho da crise institucional que o país enfrentou. Isso tudo mostra como as conversas entre líderes vão muito além do que aparece nas notas oficiais — existe ali um jogo político, diplomático e até pessoal que nem sempre chega integralmente ao público.
No fim das contas, a troca de declarações entre Lula e Trump parece mais um capítulo dessa novela político-internacional que mistura cordialidade, indiretas, divergências e, claro, muita repercussão pública. O Brasil continua no centro das atenções, e cada fala acaba gerando ondas que vão muito além das fronteiras nacionais.