Lula libera R$ 12 milhões para escolas de samba enquanto governo alega falta de verba para vacina contra herpes

O governo federal confirmou nesta semana o repasse de R$ 12 milhões para as escolas de samba do Rio de Janeiro. O dinheiro será destinado às 12 agremiações que integram o Grupo Especial da Liesa, com R$ 1 milhão para cada escola. A medida foi oficializada por meio de termos de cooperação assinados entre a Embratur, o Ministério da Cultura e a própria liga das escolas de samba. A justificativa oficial é fortalecer a cultura popular e impulsionar o turismo durante o Carnaval, evento que, segundo o governo, coloca o Brasil sob os holofotes do mundo inteiro.

De acordo com autoridades envolvidas, o investimento vai além da festa. O presidente da Embratur, Marcelo Freixo, tem defendido publicamente que o Carnaval é uma engrenagem econômica poderosa, capaz de gerar empregos diretos e indiretos. Costureiras, ferreiros, coreógrafos, músicos, aderecistas e uma infinidade de profissionais dependem desse ciclo para garantir renda ao longo do ano. Não se trata apenas de desfile, mas de uma cadeia produtiva inteira que se movimenta meses antes da Sapucaí acender as luzes.

Integrantes do Ministério da Cultura reforçam esse discurso e afirmam que o aporte financeiro é estratégico. A ideia, segundo eles, é fortalecer a imagem do Brasil no exterior e estimular o turismo internacional, algo que o país tenta recuperar após anos de queda no fluxo de visitantes. Dados recentes do setor mostram que grandes eventos culturais têm impacto direto na ocupação hoteleira, no consumo e na arrecadação de impostos, o que acaba retornando aos cofres públicos.

Enquanto isso, em outra ponta da administração federal, uma decisão causou forte reação. O Ministério da Saúde decidiu não incorporar ao SUS a vacina contra o herpes-zóster, doença causada pela reativação do vírus da catapora e que atinge principalmente idosos. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União, após avaliação da Conitec, comissão responsável por analisar a incorporação de novas tecnologias no sistema público.

Segundo o parecer técnico, o custo para oferecer a vacina em larga escala seria alto demais para o orçamento atual do SUS. A avaliação apontou que o impacto financeiro não seria sustentável, ao menos nas condições atuais de preço. Hoje, a vacina Shingrix, disponível na rede privada, apresenta eficácia acima de 90%, mas tem valor elevado, o que dificulta sua adoção no sistema público.

Especialistas em saúde alertam que o herpes-zóster não é um problema simples. Em pessoas acima dos 80 anos ou com imunidade comprometida, a doença pode causar dores intensas e prolongadas, além de complicações que levam à internação. Muitos pacientes convivem com sequelas por meses, às vezes anos. Por isso, a prevenção é vista como fundamental, principalmente em um país que envelhece rapidamente.

A oposição política não perdeu tempo e criticou duramente a decisão do governo. Parlamentares afirmam que há uma clara “inversão de prioridades”, citando justamente a liberação de recursos para o Carnaval como exemplo. Para esses críticos, investir milhões em festa enquanto uma vacina eficaz fica fora do SUS envia uma mensagem errada à população, sobretudo para idosos que dependem exclusivamente do sistema público.

Do lado do governo, a resposta é de cautela. A gestão federal sustenta que a decisão foi técnica, não política, e que novas negociações podem ocorrer no futuro. Caso os preços da vacina caiam ou surjam alternativas mais baratas, a incorporação poderá ser reavaliada. Até lá, o tema segue no centro do debate público, misturando cultura, saúde, orçamento e escolhas que, inevitavelmente, dividem opiniões.



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