Na última quinta-feira (21), durante um evento em Sorocaba, interior de São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a ironizar uma das teorias mais bizarras que circulam pela internet: a de que ele teria morrido e estaria sendo substituído por um clone, ou até mesmo por um sósia contratado para se passar por ele. A fala foi feita diante de apoiadores que acompanhavam a entrega de Unidades Odontológicas Móveis (UOM), um programa voltado para ampliar o acesso a tratamentos dentários em regiões mais afastadas.
Com seu jeito debochado, Lula não deixou passar a oportunidade de provocar risadas. “Tem uma mentira que diz que eu morri, que eu sou um clone. Você viu que esses dias eu subi uma rampa correndo? Aí, falaram: ‘Não, isso não é o Lula, isso é um clone, o Lula já foi’. Eu já sou o quinto Lula. Deus queira que eu seja o sexto, o sétimo Lula”, brincou. A plateia reagiu com gargalhadas, e alguns até gritaram palavras de apoio, mostrando que o humor do presidente ainda é um dos seus principais instrumentos de comunicação com a base.
Apesar do tom descontraído, Lula também criticou o que ele chamou de “fábrica de mentiras” que circula principalmente nas redes sociais. “Dizem que o céu é muito bom, quem quiser minha vaga pode pedir que eu dou. Eu quero viver aqui na Terra mais um pouco”, disse, reforçando que pretende viver até os 120 anos. Essa fala, inclusive, já havia sido repetida em outras ocasiões, mostrando que o presidente costuma usar esse tipo de frase como forma de marcar presença no debate público.
Essa não foi a primeira vez que Lula comentou sobre essa teoria da conspiração. Em maio de 2024, durante um evento em Alagoas, ele chegou a brincar ao avistar um apoiador parecido com ele próprio. Na ocasião, o petista ironizou: “Você sabe que a rede social tem uma parte tão canalha que tem lá um cidadão que diz que o Lula morreu e que eu não sou o Lula”. A transmissão pela TV Gov acabou sendo interrompida por uma falha técnica, mas a fala já tinha sido suficiente para gerar memes e comentários nas redes.
É curioso notar como essas teorias, por mais absurdas que sejam, encontram espaço para crescer em tempos de polarização política. A ideia de que o presidente teria sido substituído por um clone lembra histórias de filmes de ficção científica, mas ainda assim circula em grupos de WhatsApp e perfis de redes sociais que se dedicam a espalhar desinformação. Para alguns, é apenas piada. Para outros, um argumento político, mesmo sem qualquer base real.
Em meio a tantas notícias pesadas sobre economia, desmatamento, juros e até a crise no Rio Grande do Sul, esse tipo de declaração mais leve acaba chamando atenção e viralizando. Não à toa, trechos do discurso em Sorocaba rapidamente foram parar no X (antigo Twitter) e no Instagram, acumulando milhares de visualizações em poucas horas.
Entre apoiadores, a reação foi positiva, com comentários destacando o “bom humor” do presidente. Já críticos, como de costume, preferiram ironizar ainda mais, dizendo que talvez até o próprio discurso fosse feito por um clone treinado.
O fato é que Lula parece ter encontrado uma maneira de transformar em piada aquilo que poderia ser visto como uma afronta ou até uma fake news grave. Em vez de apenas se irritar, ele usa o deboche como forma de desarmar a narrativa e ainda conquistar risadas da plateia. É uma estratégia de comunicação que não é nova, mas que continua funcionando em um Brasil cada vez mais conectado às redes sociais e, ao mesmo tempo, cada vez mais vulnerável a notícias falsas.
No final das contas, entre clones, rampas corridas e promessas de viver até 120 anos, Lula segue tentando equilibrar humor com política, deixando claro que, pelo menos por enquanto, o único “sósia” que importa é ele mesmo no Palácio do Planalto.