O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou ao estado do Rio de Janeiro nesta terça-feira (28), em mais um movimento para tentar fortalecer sua presença política em um dos estados mais importantes do país. A visita faz parte de uma estratégia do Palácio do Planalto para recuperar parte do espaço que acabou sendo ocupado pelo bolsonarismo nos últimos anos. A agenda do presidente inclui compromissos na área da saúde e também da educação e ciência.
O primeiro compromisso aconteceu no bairro do Andaraí, na capital fluminense. Lula visitou um hospital acompanhado pelo diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus. O encontro teve como foco discutir investimentos, além de destacar projetos ligados ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). A presença do representante da OMS também deu um peso internacional ao evento, mostrando o interesse em ampliar debates sobre políticas públicas voltadas para a saúde.
Mais tarde, o presidente seguiu para Niterói, onde participa da reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). O evento reúne pesquisadores, professores, estudantes e especialistas de diversas áreas do conhecimento. Nos últimos anos, esse encontro ganhou ainda mais importância por causa das discussões sobre financiamento da ciência, inovação e desenvolvimento tecnológico no Brasil.
Nos bastidores da política, porém, o principal objetivo dessa visita parece ir além da agenda oficial. O governo tenta recuperar terreno no Rio de Janeiro, um estado onde o Partido dos Trabalhadores já teve muito mais força. Em 2002, quando Lula foi eleito presidente pela primeira vez, o desempenho no território fluminense foi um dos melhores do país. Com o passar dos anos, esse cenário mudou bastante e o avanço da direita acabou diminuindo a influência petista na região.
Existe também uma expectativa de que o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), apareça ao lado de Lula em novos compromissos nas próximas semanas. Paes é apontado como candidato ao governo do estado com apoio do presidente e de partidos aliados. Inclusive, já existe a previsão de um grande ato político conjunto no começo de agosto, que deve marcar oficialmente essa aproximação entre os dois.
Enquanto isso, pesquisas eleitorais mostram que a disputa no estado promete ser bastante equilibrada. Um levantamento divulgado pela Genial/Quaest aponta um empate técnico entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro. De acordo com os números, Flávio aparece com 32% das intenções de voto, enquanto Lula registra 30%. Como a diferença está dentro da margem de erro da pesquisa, os dois seguem praticamente lado a lado.
Quando o cenário analisado é de um eventual segundo turno, Flávio Bolsonaro aparece um pouco à frente, com 38%, enquanto Lula soma 35%. Esses dados ajudam a explicar porque o presidente vem intensificando suas visitas ao Rio de Janeiro. Somente nos últimos dois meses, ele participou de quatro eventos públicos no estado, sempre tentando reforçar alianças políticas e aproximar o governo federal dos eleitores fluminenses.
Em algumas dessas agendas, Lula esteve acompanhado do governador interino Ricardo Couto, que fez declarações de apoio ao presidente e chegou a se emocionar durante discursos. As imagens repercutiram bastante nas redes sociais e acabaram chamando atenção de aliados e também de adversários políticos.
Apesar das dificuldades enfrentadas pelo PT no Rio, o partido acredita que ainda existe espaço para crescer. Nas eleições presidenciais mais recentes, Lula conseguiu diminuir a vantagem conquistada anteriormente por Jair Bolsonaro, embora o ex-presidente tenha vencido no estado tanto em 2018 quanto em 2022. Agora, a expectativa é que a presença mais frequente de Lula no Rio ajude a fortalecer candidaturas aliadas e também aumente sua aprovação entre os eleitores.
Com a aproximação do calendário eleitoral, a tendência é que as visitas do presidente ao estado se tornem ainda mais constantes. O Rio de Janeiro continua sendo considerado estratégico por todas as principais forças políticas do país, e cada agenda, encontro ou discurso pode influenciar diretamente o cenário dos próximos meses.