O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a subir o tom contra integrantes da família Bolsonaro durante um discurso realizado em Catalão, no interior de Goiás, nesta terça-feira (2). Em uma fala marcada por críticas duras e declarações polêmicas, o petista acusou os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio e Eduardo Bolsonaro, de atuarem junto ao governo do presidente norte-americano Donald Trump para pressionar economicamente o Brasil.
Segundo Lula, os parlamentares teriam trabalhado nos bastidores para estimular medidas que prejudicassem o país. Sem poupar palavras, ele classificou os dois como “traidores da pátria”, “vendilhões” e também os chamou de covardes diante de apoiadores que acompanhavam o evento.
A declaração acontece poucos dias depois do anúncio de novas tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre uma série de produtos brasileiros. A medida foi divulgada oficialmente em 1º de junho de 2026, após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), baseada na chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Embora a decisão tenha impacto em diferentes setores da economia nacional, alguns segmentos considerados estratégicos para os interesses americanos acabaram preservados. Entre eles estão a indústria aeronáutica e o setor farmacêutico, que ficaram de fora das restrições mais severas.
Durante o discurso, Lula também provocou repercussão ao fazer uma referência histórica envolvendo Joaquim Silvério dos Reis, personagem conhecido por ter delatado Tiradentes durante o período da Inconfidência Mineira. Em determinado momento, o presidente afirmou que, por atitudes consideradas menos graves, Joaquim Silvério teria sido enforcado.
A fala, porém, gerou confusão. Isso porque quem foi executado por enforcamento foi Tiradentes, e não Joaquim Silvério dos Reis. Ao perceber o equívoco, Lula interrompeu o raciocínio e reformulou a declaração, transformando a frase em uma pergunta direcionada ao público.
“Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que merece os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso país? Pensem, meditem”, afirmou o presidente diante da plateia.
Na sequência, Lula continuou criticando os adversários políticos e acusou os irmãos Bolsonaro de tentarem negar atitudes tomadas anteriormente. Sem citar provas durante a fala, o presidente afirmou que ambos estariam recuando das próprias declarações.
“Todo covarde é assim. Fala a merda que fala e depois não tem coragem de assumir. Fica tentando mentir”, disparou.
Outro trecho que chamou atenção foi quando Lula comparou a família Bolsonaro aos Irmãos Metralha, personagens conhecidos dos quadrinhos da Disney por viverem envolvidos em golpes e tentativas de roubo. A analogia arrancou reações entre os presentes e rapidamente passou a circular nas redes sociais.
“Teve a sordidez política que a gente vê com essa família Metralha”, declarou.
Já na reta final do discurso, o presidente voltou a mencionar especificamente Flávio Bolsonaro. Lula alegou que o senador teria procurado apoio externo por acreditar que uma eventual reeleição do atual governo seria difícil de impedir nas urnas.
“Hoje ele foi dizer que não falou nada. Falou sim. Foi pedir arrego. Foi dizer: ‘Trump, dá uma porrada no Lula, ataca o Lula porque o Lula vai ganhar tranquilo’. Imbecil. Ele não vai prejudicar o Lula. Vai prejudicar o povo brasileiro, os empresários brasileiros e o agronegócio”, afirmou.
As declarações repercutiram imediatamente no cenário político e devem aumentar ainda mais a tensão entre o governo federal e a oposição. Em um momento de forte polarização, o episódio promete alimentar novos embates entre aliados de Lula e apoiadores da família Bolsonaro nos próximos dias.