Lula embarca para Itália para encontrar o papa Leão XIV

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai ter um encontro importante na próxima segunda-feira (13): ele será recebido pelo papa Leão XIV, no Vaticano, durante uma rápida passagem por Roma. A visita foi confirmada neste sábado (11) tanto pelo governo brasileiro quanto pelo serviço de imprensa da Santa Sé, e já está movimentando os bastidores da política e da diplomacia.

Essa será a primeira vez que Lula e o novo pontífice se encontram pessoalmente, desde que Leão XIV assumiu o comando da Igreja Católica — um momento que, para muitos, tem peso simbólico, considerando a trajetória política e a postura social do presidente. Fontes próximas ao Planalto afirmam que Lula pretende tratar de temas como a luta contra a fome e a desigualdade, assuntos que, aliás, têm sido uma bandeira tanto do governo brasileiro quanto do próprio Vaticano sob a nova liderança.

O encontro acontece paralelamente à agenda de Lula na capital italiana, onde ele participa do Fórum Mundial da Alimentação, organizado pela FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura). Além disso, o presidente também deve marcar presença em uma reunião presencial do Conselho de Campeões da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa do G20 — grupo que atualmente está sob presidência do Brasil.

Nos bastidores, assessores do governo dizem que o clima é de expectativa. Há um esforço para reforçar a imagem de Lula como uma liderança global em causas humanitárias, algo que ele vem tentando recuperar desde o retorno ao poder. O Planalto quer aproveitar o encontro com o papa para fortalecer essa narrativa, especialmente num momento em que o país busca ter mais protagonismo internacional.

Vale lembrar que essa não é a primeira vez que Lula visita o Vaticano. Pelo contrário, essa será a quarta audiência de um presidente brasileiro chamado Luiz Inácio Lula da Silva com um papa. Ele já teve encontros históricos com João Paulo II, Bento XVI e Francisco — cada um em contextos bem diferentes, tanto políticos quanto pessoais. Em 2005, por exemplo, Lula ainda enfrentava críticas duras sobre a condução da economia; já em 2020, quando visitou o papa Francisco como ex-presidente, estava em plena tentativa de reconstruir sua imagem política após o período conturbado da Lava Jato.

Agora, com Leão XIV — um papa que tem se mostrado bastante ativo em debates sobre justiça social e meio ambiente —, a expectativa é que a conversa seja mais do que uma formalidade diplomática. Fontes próximas dizem que deve haver espaço para tratar também de pautas contemporâneas, como a crise climática e as guerras que vêm assolando diferentes partes do mundo, especialmente no Oriente Médio e na Ucrânia.

Lula embarca rumo à Itália no fim da tarde deste sábado (11), acompanhado por uma comitiva enxuta, e deve retornar ao Brasil já na noite de segunda (13). A passagem será curta, mas intensa — típica do estilo do presidente, que costuma conciliar compromissos oficiais com encontros políticos e religiosos.

Curiosamente, essa visita acontece num momento em que o governo tenta conter tensões internas, especialmente nas áreas econômica e ambiental, e busca novos apoios no cenário internacional. Um encontro com o líder máximo da Igreja Católica, portanto, vem em boa hora.

Seja pela simbologia do gesto, seja pelas possíveis parcerias que podem surgir, o fato é que a audiência entre Lula e o papa Leão XIV promete render muito mais do que uma simples troca de cumprimentos. É o tipo de reunião que, embora breve, tem potencial para deixar marca — tanto na política quanto na diplomacia brasileira.



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