Lula e aliado fez uma transferência milionária para conta de Lulinha

Uma informação que veio à tona recentemente acabou chamando bastante atenção nos bastidores da política em Brasília. Dados obtidos a partir de uma quebra de sigilo bancário mostram que Fábio Luís Lula da Silva, conhecido popularmente como Lulinha, recebeu ao todo R$ 721,3 mil do próprio pai, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em três transferências feitas entre os anos de 2022 e 2023.

As informações foram divulgadas inicialmente pela jornalista Andreza Matais, em reportagem publicada no portal Metrópoles. Segundo a apuração, o maior valor transferido ocorreu em 22 de julho de 2022, quando Lula enviou R$ 384 mil para a conta do filho. O dinheiro saiu de uma conta que o presidente mantém em uma agência do Banco do Brasil localizada em São Bernardo do Campo, no interior de São Paulo.

Mas não foi só isso que apareceu nos registros. No mesmo dia, outra movimentação financeira chamou atenção: Paulo Okamotto, que na época era presidente da Fundação Perseu Abramo e também diretor do Instituto Lula, teria transferido R$ 152.488,39 para a mesma conta de Lulinha.

Nos registros bancários, a operação aparece com a descrição “depósito cheque BB liquidado”. Até agora, pelo menos publicamente, não ficou claro qual teria sido o motivo dessas transferências. Ou seja, o dinheiro entrou, mas a justificativa oficial para os pagamentos ainda não foi detalhada.

Poucos dias depois de receber os valores, Lulinha tratou de movimentar o dinheiro. Em 25 de julho, ele aplicou cerca de R$ 386 mil em um fundo de investimento chamado BB Renda Fixa Longo Prazo High, que é voltado principalmente para aplicação em títulos públicos e privados. Esse tipo de fundo costuma render acima do CDI, sendo considerado relativamente seguro para investidores que buscam retorno sem grandes riscos.

Um detalhe curioso nos dados é que, antes de receber a transferência feita por Lula, a conta de Lulinha tinha apenas R$ 12.031,92 de saldo. Ou seja, o valor que entrou mudou completamente o cenário da conta naquele momento.

As transferências, porém, não pararam por aí. De acordo com os documentos analisados, o presidente fez mais duas transferências para o filho no dia 27 de dezembro de 2023. Uma delas no valor de R$ 244,8 mil e outra de R$ 92,4 mil. Na ocasião, o saldo que Lulinha possuía na conta era relativamente baixo: apenas R$ 5.196,55.

Depois que o dinheiro caiu na conta — somando as transferências de Lula e também o valor enviado por Okamotto, que juntos chegaram perto de R$ 489 mil —, Lulinha novamente direcionou parte do montante para investimentos. Aproximadamente R$ 299,2 mil foram aplicados em fundos do próprio Banco do Brasil. Entre eles, o já citado BB Renda Fixa Longo Prazo High e também o BB Referenciado DI Plus Estilo, outro produto financeiro bastante usado por investidores que buscam acompanhar o rendimento do CDI.

Só que logo depois dessas aplicações surgiu uma movimentação curiosa no extrato. O banco registrou um débito de quase R$ 180 mil, classificado como “taxa de custódia”. Após essa cobrança, a conta acabou ficando com saldo negativo em cerca de R$ 2 mil.

Essas movimentações fazem parte de um conjunto maior de dados que vieram à tona após a quebra de sigilo de uma das contas de Lulinha. De acordo com os registros analisados, o empresário movimentou algo em torno de R$ 19,3 milhões nessa conta entre 2022 e 2025.

Nos bastidores políticos, o assunto acabou repercutindo bastante. Aliados do governo afirmaram à coluna do jornalista Igor Gadelha, também do portal Metrópoles, que parte do dinheiro movimentado teria origem em herança familiar. Ainda assim, detalhes sobre os valores e a origem exata de todos os recursos não foram totalmente explicados até agora.

A defesa de Lulinha, por sua vez, informou que pretende prestar os devidos esclarecimentos ao Supremo Tribunal Federal caso seja necessário. Enquanto isso, o episódio segue sendo debatido tanto nos meios políticos quanto nas redes sociais, onde o assunto rapidamente ganhou repercussão.



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