Lula diz que irá ligar para Trump, mas para outro motivo singular, entenda

Na terça-feira, 5 de agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou que pretende fazer uma ligação pro presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Mas calma aí, não é pra discutir o tarifaço que os americanos resolveram aplicar em cima dos produtos brasileiros, não. Pelo menos por enquanto. A ideia, segundo Lula, é convidar Trump pra participar da COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que vai rolar em Belém (PA) em novembro.

“Eu não vou ligar pro Trump pra falar de tarifa, porque ele nem quer papo. Mas vou sim convidar ele pra COP, quero saber o que ele pensa da questão climática”, disse Lula durante a abertura da 5ª plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (o famoso Conselhão).

E não parou por aí. O presidente ainda comentou que vai tentar contato com outros líderes mundiais, principalmente os dos países que fazem parte do Brics. Citou o presidente da China, Xi Jinping, e o da Índia, Narendra Modi. Já sobre o russo Vladimir Putin, Lula foi direto: “Não vou ligar pro Putin porque ele não tá podendo viajar”. E de fato, Putin tem um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) nas costas, por crimes de guerra, então tá complicado mesmo sair da Rússia.

Agora, voltando ao tarifaço… A medida anunciada por Trump entra em vigor já nesta quarta, 6 de agosto. E é pesada: produtos brasileiros passarão a ser taxados em 50% quando entrarem nos EUA. Isso praticamente trava a exportação de vários setores, como o do café, carnes e pescados. Uma pancada forte num momento em que a economia brasileira tenta respirar.

O problema, segundo fontes do governo, é que negociar com Trump tem sido um baita desafio. O republicano estaria mais interessado em questões políticas do que em lógica comercial. Ao justificar o tarifaço, Trump chegou a mencionar uma suposta “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). E aí a coisa complicou de vez: alguns aliados dele tão dizendo que o fim das tarifas só viria se o Brasil anistiar os envolvidos nos atos golpistas de 8 de Janeiro e encerrar os processos contra Bolsonaro no STF.

Apesar do tom duro, nem tudo tá perdido. O próprio governo americano já publicou mais de 700 exceções dentro desse tarifaço. Ou seja, produtos como laranja e até aviões da Embraer vão escapar das novas taxas. Isso ajuda a suavizar o impacto que, no início, parecia devastador.

Nesse meio tempo, o Conselhão soltou um manifesto firme em defesa da soberania brasileira. “A soberania nacional está no artigo 1º da nossa Constituição. O respeito a esse princípio é inegociável nas relações internacionais. Defendemos nossas instituições democráticas, incluindo o STF”, diz um trecho do documento.

Lula tem insistido que topa conversar sobre comércio com os EUA, mas não vai aceitar nenhum tipo de pressão ou chantagem que envolva o Judiciário. E o Supremo também não tá recuando. Na segunda (4), o ministro Alexandre de Moraes decretou a prisão domiciliar de Bolsonaro, aprofundando ainda mais o impasse político entre os dois países.

No fim das contas, o clima é de tensão diplomática misturada com disputas políticas internas. Resta saber se a COP30 vai ser palco de reconciliação — ou mais um episódio desse embate entre Brasil e Estados Unidos em tempos de interesses bem diferentes.



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