Lula alfineta Trump após queda nos dados de desmatamento: “Vou mandar foto para ele”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a comentar a relação entre Brasil e Estados Unidos nesta sexta-feira, dia 7, durante um evento realizado no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Ao falar sobre os avanços do país na redução do desmatamento, o presidente aproveitou o momento para fazer uma provocação ao presidente norte-americano Donald Trump.

Durante o discurso, Lula afirmou que o Brasil trata a questão ambiental com seriedade e disse que o país não pode ser considerado negacionista diante dos problemas climáticos que estão acontecendo no mundo. Segundo ele, os números apresentados durante o evento mostram uma evolução brasileira no combate ao desmatamento.

Foi nesse momento que o presidente brasileiro fez a brincadeira envolvendo Trump. Lula disse que gostaria de tirar uma fotografia dos gráficos apresentados no INPE para enviar ao presidente dos Estados Unidos. A declaração arrancou atenção justamente por acontecer em meio a um período de relações diplomáticas mais delicadas entre os dois países.

“Neste país a gente leva a questão climática com muita seriedade porque não somos negacionistas. A gente está vendo as coisas acontecendo. […] Depois quero tirar fotografia dos gráficos que vocês colocaram para mandar pro Trump”, afirmou Lula.

A fala acontece em meio às cobranças feitas pelo governo norte-americano em relação às políticas ambientais brasileiras. A gestão Trump argumenta que os elevados índices de devastação registrados no Brasil poderiam representar uma vantagem comercial considerada desleal para setores produtivos do país.

Nesse cenário, a Casa Branca passou a defender contrapartidas ecológicas de parceiros comerciais. A questão ambiental, portanto, acabou se tornando mais um ponto de discussão nas relações entre Brasília e Washington.

Lula também procurou destacar que o Brasil continua aberto para negociar com diferentes países. O presidente mencionou inclusive as discussões envolvendo minerais críticos e terras raras, recursos que ganharam importância estratégica no cenário internacional.

Segundo Lula, o Brasil não pretende fechar as portas para os Estados Unidos, mas também não deseja criar uma relação de dependência com nenhuma outra potência. Para ele, o caminho deve ser uma negociação baseada em igualdade.

“Entreguei na mão dele [Trump] a questão dos minerais críticos, das terras raras. O Brasil não tem veto aos Estados Unidos, não tem preferência pela China, pela França. O Brasil quer negociar em igualdade”, declarou.

O presidente ainda fez uma ressalva ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Lula afirmou que Rubio não teria simpatia pelo Brasil e pela América Latina e relacionou essa postura ao que chamou de “alinhamento bolsonarista”.

A declaração acrescenta mais um elemento às dificuldades existentes na relação diplomática entre os governos brasileiro e norte-americano. Em 2026, os dois países atravessam um período marcado por divergências comerciais, questões ambientais e discussões relacionadas à política brasileira.

Apesar dos atritos, o governo Lula sinaliza que pretende manter aberta a possibilidade de conversa direta com os Estados Unidos. A estratégia brasileira é buscar espaço para negociar temas considerados importantes para a economia nacional, principalmente minerais estratégicos e relações comerciais.

No discurso, Lula tentou mostrar que o Brasil não pretende escolher um único lado no cenário internacional. A ideia apresentada pelo presidente é negociar com diferentes parceiros, mas sem abrir mão dos interesses brasileiros.

Enquanto isso, a relação com Trump continua sendo acompanhada de perto. As próximas conversas entre os dois governos poderão mostrar se os atuais conflitos vão aumentar ou se haverá espaço para uma aproximação diplomática.



Recomendamos