Luisa Mell divulga laudo do cão Orelha e desabafa: “Acompanhar não tem sido fácil”

A morte do cão comunitário conhecido como Orelha segue causando revolta e comoção nas redes sociais e fora delas. Nesta quarta-feira (28), a ativista e defensora da causa animal Luisa Mell decidiu divulgar o laudo veterinário que detalha o que, de fato, aconteceu com o animal antes de morrer. O documento é duro, pesado de ler, e confirma aquilo que muitos já temiam desde que o caso veio à tona: Orelha foi brutalmente espancado por um grupo de adolescentes na Praia Brava, área considerada nobre de Florianópolis, em Santa Catarina.

De acordo com o laudo divulgado por Luisa, o cachorro sofreu lesões graves na região da cabeça, além de uma protusão média do olho esquerdo — termo técnico usado quando o globo ocular é literalmente empurrado para fora da órbita. Também foram constatados sangramentos pela boca e pelo nariz, além da suspeita de fraturas na face, o que reforça a violência do ataque sofrido pelo animal.

Não foi uma morte rápida, nem tranquila. Antes de ir a óbito, Orelha apresentava perda de coordenação motora, dificuldades claras para respirar e um ritmo cardíaco considerado lento pelos profissionais que o atenderam. Ou seja, ele agonizou. Sentiu dor. Lutou para sobreviver. Isso é algo que o laudo deixa bem evidente, mesmo sem precisar usar palavras fortes.

Nas redes sociais, Luisa Mell afirmou que acompanhar o caso de perto tem sido emocionalmente desgastante. “Acompanhar de perto este caso não tem sido fácil”, escreveu a ativista, que há anos atua em denúncias de maus-tratos a animais em todo o país. Quem acompanha o trabalho dela sabe que não é a primeira vez que Luisa se depara com situações assim, mas algumas histórias marcam mais do que outras. E essa, claramente, é uma delas.

Orelha era um animal comunitário, conhecido por moradores e frequentadores da região. Não era agressivo, não oferecia risco. Pelo contrário, era daqueles cães que acabam virando parte da paisagem local, recebendo comida aqui, carinho ali, um nome acolá. E talvez por isso o caso tenha chocado ainda mais. Não foi um acidente, não foi negligência. Foi violência deliberada.

O episódio ocorre em um momento em que o debate sobre maus-tratos a animais volta a ganhar força no Brasil. Nos últimos meses, outros casos semelhantes viralizaram, levantando discussões sobre punições mais severas, responsabilidade dos pais e até o papel da educação emocional de adolescentes. Afinal, o que leva jovens a cometerem um ato desse nível de crueldade?

Em Florianópolis, o caso do cão Orelha passou a simbolizar algo maior. Não se trata apenas de um cachorro morto, mas de uma sociedade que, muitas vezes, fecha os olhos para sinais claros de violência. Hoje é um animal. Amanhã, quem garante que não será uma pessoa?

A divulgação do laudo trouxe mais clareza, mas também mais indignação. Para muitos, agora não há mais dúvidas sobre a gravidade do ocorrido. O que resta é a cobrança por justiça e responsabilização dos envolvidos. Enquanto isso, Orelha vira memória, símbolo e alerta.

Porque esquecer esse caso seria permitir que outros “Orelhas” tenham o mesmo fim. E isso, definitivamente, não pode virar rotina.



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