O ator Lima Duarte expressou grande tristeza com a morte de um amigo de longa data, alguém com quem compartilhou palcos, histórias e projetos teatrais ao longo de décadas. “Um artista, pesquisador e amigo que deixou um legado imenso para a nossa cultura!”, declarou o veterano, ressaltando a importância de David José Lessa Mattos para a dramaturgia brasileira. A perda, segundo ele, é sentida não só por aqueles que conviveram de perto com David, mas por toda a comunidade artística do país.
David José faleceu aos 83 anos, na última segunda-feira (6), em São Paulo, deixando uma carreira marcada por marcos históricos na televisão, teatro e também na pesquisa acadêmica. A notícia foi confirmada oficialmente pela assessoria de sua família, que pediu privacidade para lidar com o luto. Conhecido nacionalmente por interpretar Pedrinho na primeira versão televisiva de Sítio do Picapau Amarelo, exibida pela TV Tupi nos anos 1950, David se tornou um ícone da infância de muitas gerações, sendo lembrado com carinho até hoje.
Segundo informações divulgadas, o ator e historiador vinha enfrentando uma doença pulmonar progressiva, diagnosticada em 2017, que acabou agravando nos últimos anos. O velório ocorreu na quarta-feira (7), no bairro da Bela Vista, região central de São Paulo. Amigos, familiares, colegas de profissão e admiradores se reuniram para prestar suas últimas homenagens, compartilhando lembranças de sua personalidade generosa, seu talento e sua paixão pelas artes.
A trajetória de David José Lessa Mattos começou cedo. Nascido em São Paulo, em 1942, ele iniciou sua formação artística aos 12 anos no Teatro Escola de São Paulo (TESP), uma referência importante para a formação de atores na época. Pouco depois, seu talento o levou a ser escolhido para interpretar Pedrinho, na primeira adaptação televisiva da obra de Monteiro Lobato, projeto que marcou profundamente a memória afetiva de muitos telespectadores e consolidou seu nome na história da televisão brasileira.
Mas David não se limitou às artes cênicas. Ele também se destacou na vida acadêmica e intelectual. Formou-se em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP) e concluiu doutorado em História Social, unindo seu amor pelas artes à pesquisa e à reflexão crítica sobre a cultura brasileira. Suas contribuições acadêmicas, aliadas à experiência prática como ator, tornaram-no uma referência única, capaz de analisar a sociedade através da lente da arte, e a arte através da lente da história.

Além de Pedrinho, David participou de diversas produções teatrais e programas de TV ao longo de sua carreira, sempre se mostrando versátil e comprometido com cada personagem. Amigos lembram dele como alguém generoso, que compartilhava conhecimentos sem guardar segredo, e com um senso de humor que iluminava os bastidores dos teatros e estúdios. Para Lima Duarte e tantos outros colegas, David José era mais do que um ator talentoso: era um pesquisador incansável, um contador de histórias nato e um amigo leal, cuja presença deixava qualquer ambiente mais rico culturalmente.
A morte de David José Lessa Mattos deixa uma lacuna na dramaturgia e na história das artes brasileiras, mas seu legado permanece vivo, não só nas telas antigas do Sítio do Picapau Amarelo, mas também nos livros, pesquisas e memórias daqueles que tiveram a oportunidade de conhecê-lo. Em tempos em que a preservação da cultura nacional se torna cada vez mais urgente, o exemplo de dedicação, paixão e curiosidade de David José inspira novas gerações de artistas e pesquisadores a seguirem caminhos semelhantes, valorizando a memória, a criatividade e o estudo da nossa própria história.
Em resumo, a vida de David José foi marcada por talento, dedicação e amor à cultura brasileira, deixando lembranças que atravessam gerações. Para Lima Duarte e tantos outros que tiveram o privilégio de conviver com ele, resta agora guardar cada lembrança, cada risada e cada aprendizado que esse grande artista nos deixou.