Lilia Cabral não tem motivos para sorrir e comove ao anunciar grande perda na família: ‘Me deixou’

Lilia Cabral deixou seus seguidores com o coração apertado nesta terça-feira (18/11), depois de compartilhar no Instagram uma notícia que ninguém gosta de dar: a morte de um parente muito querido. A atriz, que todo mundo conhece pela força nos papéis e pela firmeza na vida pública, contou que perdeu o primo José Carlos Bruni. Para ela, ele não era só um primo distante, daqueles que a gente encontra uma vez por ano em festa de família, mas sim um daqueles pilares silenciosos que ajudam a construir a pessoa que a gente vira.

Visivelmente abalada — e dá pra sentir isso mesmo só pelo texto que ela publicou — Lilia fez questão de relembrar o vínculo profundo que mantinha com Bruni. Segundo ela, ele era uma mistura de mentor, amigo e um ponto de apoio que aparecia exatamente quando tudo parecia fora do lugar. José Carlos era filósofo, professor, leitor voraz e dono daquela calma que dá vontade de sentar e ouvir por horas. E, ao que tudo indica, Lilia fez isso muitas vezes.

A atriz contou que era praticamente impossível desligar o telefone sem levar alguma reflexão nova. Ele sempre tinha um jeito de puxar conversa e de transformar o óbvio em algo que a gente ainda não tinha pensado. Seja sobre a vida, a carreira ou até sobre as pequenas crises profissionais que todo artista enfrenta. Em tempos em que muita gente corre atrás de “coach motivacional” no Instagram, ela já tinha um dentro da própria família — e um dos bons.

Mas José Carlos não era só esse intelectual sério e centrado. Lilia revelou um lado que fez muita gente sorrir: o primo era noveleiro assumido. Não perdia uma trama. E o mais curioso: era fã de carteirinha das novelas de Manoel Carlos, o Maneco, que até hoje é referência quando se fala de dramaturgia brasileira. Segundo ela, Bruni comentava cada capítulo, reclamava de personagem, elogiava outros, discordava dos rumos dados por diretores… aquele tipo de telespectador apaixonado que hoje certamente estaria fazendo threads quilométricas no X (antigo Twitter).

A artista lembrou, rindo, das ligações em que o primo praticamente fazia uma análise crítica dos folhetins — algo entre uma resenha e um desabafo. E isso também criava um elo entre os dois. Ele acompanhava sua carreira de perto, torcia, comentava, às vezes até criticava um detalhe ou outro, mas sempre com carinho e verdade, como quem quer o melhor e sabe a força do afeto.

A convivência com Bruni não começou na vida adulta. Ela voltou no tempo e relembrou que, ainda menina, já era marcada pela presença dele. Lembrou das tardes em que o via tocar piano, de como ele falava com brilho no olho sobre a USP, dos livros empilhados na sala da casa da família em Araraquara, tudo isso compondo o cenário de suas férias. Essas memórias, segundo ela, formam uma espécie de costura afetiva impossível de se desfazer, mesmo com a dor da despedida.

No desabafo, Lilia Cabral deixou claro que a perda é enorme, mas que a influência dele continua ali, intacta. Em meio a tantos acontecimentos do país — desde a volta do aquecimento do debate cultural até as discussões sobre a importância da arte em tempos conturbados — ela reforçou que figuras como José Carlos fazem falta justamente porque alimentam esse olhar mais humano, sensível e, ao mesmo tempo, crítico.

A atriz encerrou sua homenagem agradecendo pelo privilégio de ter convivido com alguém que, segundo ela, ajudou a moldar sua visão de mundo. E os fãs, que acompanham a trajetória de Lilia há décadas, entenderam de imediato o peso dessa despedida. Afinal, por trás de qualquer grande artista, quase sempre existe alguém como José Carlos: discreto, inteligente, apaixonado pela vida e que deixa marcas profundas, mesmo depois de partir.



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