Nos últimos dias, um detalhe comovente sobre a vida de Preta Gil veio à tona pelas mãos de Léo Áquilla, que usou suas redes sociais pra dividir uma parte pouco conhecida — e bastante generosa — da trajetória da cantora. Muita gente já sabia da força de Preta como mulher, artista e militante de várias causas, mas nem todo mundo tinha ideia do tanto que ela ajudava pessoas trans, principalmente aquelas que enfrentaram violência. E tudo isso sem plateia, sem querer holofote.
Léo, que além de artista é suplente de vereadora em São Paulo, fez questão de contar que Preta era uma verdadeira aliada da comunidade trans. Mas não era daquele tipo que só posta hashtag ou tira foto em evento de diversidade, não. Ela ajudava de verdade, com ações concretas — alugava casa, dava apoio psicológico, ajudava com grana, ficava do lado. Só que fazia tudo isso quietinha, longe das câmeras. Sem querer mídia.
Segundo Léo, essa atitude era constante. Um exemplo que ela mencionou — sem citar nomes, por respeito — foi o de uma mulher trans conhecida no Rio de Janeiro que foi brutalmente agredida e ficou com todos os dentes quebrados. A vítima recorreu a Preta, que não pensou duas vezes: colocou a mulher num lugar seguro, arcou com os custos e deu toda a assistência possível. Isso, vale lembrar, sem qualquer anúncio, sem um story sequer. Era solidariedade real, dessas que acontecem no silêncio.
“A Preta nunca me deixou contar”, disse Léo. “Ela ajudou muita menina trans que apanhou, que sofreu violência. Essa famosa mesmo, que levou uma surra feia, foi a Preta que botou num apê alugado por ela. Tudo no sigilo.” A fala é pesada, mas revela um lado humano que poucos viram.
E esse silêncio não era acaso. Era escolha. A própria Preta dizia que não queria que achassem que ela tava tentando lacrar, se aproveitar da dor alheia pra ganhar curtida ou manchete. “Ela me falou: ‘Não quero que as pessoas pensem que tô ajudando pra aparecer. Isso não é coisa pra se exibir’”, contou Léo. Em tempos onde tanta gente corre pra postar qualquer ato de bondade só pra inflar o ego ou alimentar a persona pública, esse tipo de postura chama atenção. E merece ser lembrado.
Preta Gil faleceu no último domingo (21), aos 49 anos, vítima de um câncer no intestino que vinha enfrentando desde 2022. A comoção foi grande, claro, porque ela era uma figura muito querida por várias gerações. Mas talvez a maior homenagem que se pode fazer agora é contar essas histórias que mostram quem ela foi longe dos palcos — e fora do Instagram.
Em meio a tanto barulho que domina o noticiário, esse relato de Léo Áquilla vem como um respiro. Mostra que tem gente que faz o bem só por fazer. Sem esperar tapinha nas costas. E a verdade é que, mesmo com todas as dores que enfrentou nos últimos anos, Preta nunca parou de estender a mão pros outros. Especialmente pros que quase ninguém vê.
Essa faceta, agora exposta ao público, reforça ainda mais o legado que ela deixou. Não só como artista ou figura pública, mas como ser humano. E talvez, nesse Brasil tão carente de empatia, esse seja o maior papel que ela tenha interpretado na vida real.
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