Quem acompanhava as novelas da TV Globo no começo dos anos 2000 com certeza guarda na memória o jeitinho sapeca de Tonico, o filho de Ana Francisca (Mariana Ximenes) e Danilo (Murilo Benício) em Chocolate com Pimenta. O menino de olhos atentos e fala engraçada era vivido por Guilherme Vieira, que na época tinha só 11 anos. Pois é… o tempo passou. Hoje, aos 33, ele está bem longe dos estúdios e trilha um caminho completamente diferente daquele que o Brasil conheceu.
“Chocolate com Pimenta” foi marcante, não só pela história açucarada com pitadas de vingança, mas também por revelar jovens talentos. No caso de Guilherme, porém, aquela já era a terceira experiência em novelas. Muita gente não lembra, mas ele estreou ainda criança em Vila Madalena, quando tinha apenas sete anos. Depois, apareceu no TV Globinho, interpretando o personagem Prego, entre 2000 e 2002. Era praticamente figurinha carimbada da programação infantil da emissora.
Na sequência, também esteve em O Beijo do Vampiro, outra produção que marcou aquela geração que cresceu assistindo novela com a família na sala. E a carreira seguiu. Após o sucesso como Tonico, ele viveu Geninho na primeira fase de América. No mesmo ano, participou de A Lua Me Disse, como filho da personagem de Adriana Esteves.
Vieram ainda O Profeta e Cama de Gato. Seu último papel em novelas foi em Rebelde, na Record, onde interpretou o jovem Ricardo. Depois disso, silêncio. Ou quase.
Longe das telinhas há mais de dez anos, Guilherme tomou uma decisão que muita gente talvez não esperasse: abandonou a carreira artística. Ele resolveu investir em tecnologia e jogos eletrônicos, uma área que cresce cada vez mais no mundo todo, principalmente agora, com essa febre de inteligência artificial e realidade virtual dominando tudo. E não foi só de profissão que ele mudou. Mudou de país também.
Atualmente, o ex-ator vive na Holanda. Ele chegou a morar em Amsterdã com a esposa, a contabilista Flávia Montoni. Hoje, o casal está em Maastricht, no sul do país. Uma vida tranquila, longe do assédio, bem diferente da rotina de gravações intensas que ele viveu por mais de uma década.
Em 2024, os dois oficializaram a união em São Paulo, numa cerimônia cheia de emoção. Amigos, família, padrinhos… todo mundo reunido. Nas redes sociais, Guilherme compartilhou um texto apaixonado. Chamou a esposa de “Piccola mia” e contou que, depois de um ano organizando tudo à distância, finalmente viveram o grande dia. Disse que chorou, que ficou ansioso, que se sentiu o homem mais feliz do mundo. Falou em amor, respeito e até “muito RGB”, numa referência divertida ao universo gamer que hoje faz parte da vida dele.
Recentemente, em entrevista ao portal LeoDias, ele explicou melhor essa virada de chave. Contou que sempre amou atuar, que se divertiu muito nas novelas e filmes, mas que algo mudou ao final de “Cama de Gato”. Em vez de tristeza pelo fim do trabalho, sentiu alívio. E isso, segundo ele, foi um sinal claro de que precisava repensar o rumo da própria história.
Depois de 11 anos praticamente emendando um projeto no outro, decidiu fazer uma pausa. Entrou na faculdade, experimentou uma rotina comum, dessas que muita gente considera simples, mas que para ele era novidade. Descobriu que poderia ser feliz fora dos holofotes.

É curioso como a vida dá voltas. Enquanto muitos sonham com a fama, Guilherme preferiu o anonimato. E talvez esteja aí o segredo: entender o momento de sair de cena. Nem todo mundo tem essa coragem. Ele teve. E, pelo que demonstra, está em paz com a escolha que fez.