Justiça toma decisão definitiva sobre caso de Otávio Mesquita

A denúncia feita por Juliana Oliveira, que muita gente conheceu como a assistente de palco animada do The Noite, acabou sendo arquivada pelo Ministério Público de São Paulo. Era um caso complicado, pesado, que envolvia uma acusação de estupro contra o apresentador Otávio Mesquita, referente a uma gravação do programa lá em 2016. No dia 12 de novembro, depois de meses de idas e vindas, o MP-SP decidiu encerrar o processo.

A defesa da Juliana não recebeu bem a notícia. Pelo contrário, soltaram uma nota dura, dizendo que não dá para se espantar quando “o Ministério Público paulista considera irrelevante uma cena pública de estupro, ainda mais quando a vítima é uma mulher negra, tratada com frequência como mero objeto sexual”. É uma crítica que vem sendo repetida em vários debates recentes, inclusive em casos que viralizaram no TikTok e reacenderam conversas sobre racismo estrutural e justiça seletiva.

Segundo a queixa-crime apresentada, Mesquita teria passado a mão nas partes íntimas de Juliana durante o quadro do programa e ainda colocado a cabeça dela entre as pernas, num momento que — vale lembrar — foi gravado e exibido na TV em abril daquele ano. Na época, pouca gente comentou o episódio, talvez porque a internet não fosse tão barulhenta como hoje. Mas, revendo gravações antigas, muita gente nas redes diz ter ficado chocada com o que viu.

Apesar disso, para o Ministério Público, faltaram elementos que comprovassem violência ou dolo sexual por parte do apresentador. O órgão não negou que o comportamento dele foi inadequado, até “reprovável”, como anotado no documento, mas entendeu que não havia base suficiente para seguir com a acusação criminal. É aquela coisa que vira discussão no X (antigo Twitter): quando a Justiça entende uma coisa, mas a opinião pública insiste em outra.

A defesa de Juliana tentou de tudo para evitar o arquivamento. Entraram com pedido, argumentaram novamente, lembraram que a exposição pública de uma mulher num ambiente de trabalho pode sim configurar violência — mas nada disso foi suficiente. A Justiça manteve a decisão inicial e o caso criminal foi encerrado.

Depois desse desfecho, Otávio Mesquita se pronunciou dizendo que recebeu a notícia “com serenidade e alegria”. Nas palavras dele, a Justiça apenas reconheceu aquilo que ele já sabia. E foi além: avisou que vai manter o processo que move contra Juliana, pedindo uma indenização de R$ 50 mil por danos morais. Para ele, toda essa situação causou prejuízos à sua imagem, ainda mais num momento sensível para figuras públicas — um vídeo recortado, um post mal interpretado, e pronto, a reputação vira alvo de ataques, como já vimos acontecer até com políticos em plena pré-campanha.

Agora o confronto entre os dois migra para a esfera cível. É lá que o futuro desse embate vai se decidir. O processo criminal pode ter acabado, mas o desgaste não. Nem para ela, que enfrenta desconfianças e comentários cruéis nas redes, nem para ele, que tenta se afastar de qualquer associação com assédio, num país onde isso virou pauta diária de discussões e cancelamentos.

A defesa de Juliana foi procurada de novo após o arquivamento, mas preferiu não comentar se pretende recorrer. É possível que ainda tentem alguma medida, mas, por enquanto, silêncio total. Enquanto isso, o caso segue repercutindo, dividindo opiniões e levantando debates mais amplos sobre como episódios assim são tratados no Brasil de hoje — um país que, entre um trending topic e outro, ainda tenta entender onde termina o entretenimento e onde começa o respeito.



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