A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, voltou a movimentar as rodas de política e fofoca depois de uma fala que soou como indireta para Michelle Bolsonaro. Tudo aconteceu na quarta-feira, dia 20, em Manaus (AM), durante um evento da COP30 organizado pela Secretaria de Relações Institucionais da Presidência.
Janja, que já tinha chamado atenção meses atrás quando xingou o bilionário Elon Musk no G20 de 2024 — episódio que até hoje rende comentários nas redes —, agora resolveu se posicionar de forma mais sutil, mas nem por isso menos provocativa. Ao ser elogiada pelo deputado Airton Faleiro (PT-PA), que a chamou de “diferenciada”, ela respondeu na lata:
— E não xingo o marido de ninguém.
A frase caiu como uma flecha no cenário político, já que, poucos dias antes, Michelle Bolsonaro tinha soltado farpas pesadas contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em um encontro do PL Mulher, no último dia 16, Michelle não economizou palavras: chamou o petista de “mentiroso, cachaceiro e irresponsável”. Foi além: responsabilizou Lula pelas tarifas que os Estados Unidos aplicaram a produtos brasileiros.
— Foi oferecer jabuticaba para o Trump, agora a gente está colhendo abacaxis — ironizou Michelle, sugerindo que as atitudes do atual presidente teriam provocado sanções externas.
Esse jogo de alfinetadas entre as primeiras-damas e ex-primeiras-damas não é novidade, mas ganha peso porque mistura política, personalismo e, claro, internet. Basta dar uma olhada no X (antigo Twitter): a fala de Janja virou meme quase instantaneamente, com usuários divididos entre risos e críticas. Uns disseram que a primeira-dama “subiu o tom”, outros acharam que foi uma cutucada elegante.
O curioso é que esse embate acontece em um momento delicado para o governo, que tenta emplacar uma agenda positiva para a COP30, evento que vai colocar o Brasil sob os holofotes internacionais no debate climático. Em vez de focar apenas na pauta ambiental, a fala de Janja acabou atraindo as atenções para a disputa pessoal e política entre duas mulheres que representam lados opostos do espectro político nacional.
Quem acompanha a política já percebeu: o papel da primeira-dama deixou de ser apenas protocolar há tempos. Tanto Michelle quanto Janja entenderam o peso simbólico e midiático que carregam. Michelle, por exemplo, transformou-se em uma das vozes mais fortes do bolsonarismo, especialmente entre mulheres e evangélicos. Já Janja procura se firmar como figura política própria, não apenas como “esposa de Lula”.
Esse tipo de troca de farpas, embora pareça mera picuinha, reflete um pouco o clima polarizado do Brasil em 2024 e 2025. Qualquer palavra vira munição. Não é raro ver falas desse tipo virarem pauta principal de jornais, lives de influenciadores e debates de mesa de bar. Afinal, quem nunca se pegou comentando essas cutucadas políticas entre amigos, mesmo sem gostar de política?
O fato é que Janja parece ter encontrado uma forma de responder às provocações de Michelle sem descer tanto ao nível do xingamento direto, embora a ironia seja evidente. Se isso ajuda ou atrapalha Lula, só o tempo vai dizer. No mínimo, garante que a primeira-dama continue em evidência — algo que, na era da comunicação instantânea, é quase tão importante quanto a própria política.