Na manhã desta quarta-feira (12), um incêndio de grandes proporções destruiu a Maximus Confecções, localizada em Ramos, na zona norte do Rio de Janeiro. O fogo consumiu o galpão onde funcionava a fábrica, deixando ao menos 22 feridos — 12 deles em estado grave. Segundo informações da TV Globo, cerca de 100 pessoas estavam no local no momento em que as chamas começaram a se espalhar.
A Maximus Confecções era uma das principais fornecedoras de fantasias para escolas de samba da Série Ouro, a divisão de acesso do Carnaval carioca. Entre os figurinos armazenados no galpão, estavam as fantasias do Império Serrano, que utilizaria o material já no próximo desfile. Unidos de Bangu e Unidos da Ponte também tiveram peças destruídas no incêndio. Além disso, a empresa produzia camisas para alas e fardamentos para forças de segurança do Rio.
O resgate dramático
Os primeiros chamados de socorro foram feitos às 7h39, e rapidamente treze unidades do Corpo de Bombeiros foram enviadas para conter o fogo. A situação ficou ainda mais preocupante quando as chamas começaram a avançar para prédios vizinhos. Dentro do galpão, muitas pessoas ficaram encurraladas, tornando o resgate ainda mais desafiador.
No total, 17 trabalhadores foram retirados do local pelos bombeiros, enquanto outras quatro pessoas, que estavam presas na parte externa de uma janela nos fundos da fábrica, foram salvas com a ajuda de escadas portáteis. O acesso era extremamente difícil, e os caminhões com escadas magirus não conseguiam se aproximar da área. O resgate aconteceu poucos minutos antes do fogo alcançar o andar onde estavam essas vítimas.
“Foi tudo muito rápido”
A fábrica operava 24 horas por dia para atender à alta demanda do Carnaval. Sobreviventes relataram que aproximadamente 30 pessoas estavam dormindo no local quando o incêndio começou. O fogo teria se iniciado no térreo e se espalhado rapidamente devido à grande quantidade de tecidos e espumas no ambiente.
“Não deu tempo de nada. Só de correr, se jogar pela escada e sair. Vi gente pulando lá de cima. Uma pessoa bateu a cabeça quando tentou escapar, não sei se sobreviveu”, contou Roberta, uma das funcionárias que conseguiram sair a tempo. Ela estava na fábrica desde segunda-feira (10) e disse que não viu como o fogo começou.
Outro trabalhador, ainda em estado de choque, descreveu a correria: “Era todo mundo tentando se salvar do jeito que dava. Algumas pessoas conseguiram sair pela escada, outras ficaram para trás. Só espero que todo mundo tenha conseguido sair.”
Os vizinhos do galpão também relataram momentos de desespero. Muitos acordaram com gritos de socorro e o cheiro forte de fumaça. “A gente correu para ajudar, trouxe escada, jogou toalha molhada para eles conseguirem respirar melhor. Era muita gente na janela, pedindo ajuda, com medo de morrer”, contou um morador da região.
Empresa irregular e investigações
Segundo o portal Redesim, do Governo Federal, a Maximus Confecções estava em situação inapta devido à omissão de declarações fiscais. No entanto, na Junta Comercial do Rio de Janeiro (Jucerja), a empresa constava como ativa. As causas do incêndio ainda são desconhecidas, mas a 21ª DP (Bonsucesso) já abriu investigação para apurar o caso.
Impacto no Carnaval e medidas emergenciais
O incêndio não afetou apenas os trabalhadores da Maximus Confecções, mas também o planejamento do Carnaval carioca. Em nota, a Liga RJ, responsável pela Série Ouro, afirmou que o impacto da tragédia será significativo e que uma Assembleia Geral Extraordinária será realizada para discutir soluções para minimizar os prejuízos das escolas afetadas.
Hugo Júnior, presidente da Liga RJ, confirmou que a perda de fantasias foi total para algumas agremiações e parcial para outras. Diante disso, a Prefeitura do Rio decidiu que as três escolas afetadas não serão rebaixadas, independentemente do que acontecer nos desfiles deste ano.
O prefeito Eduardo Paes, que estava em Brasília no momento do incêndio, se manifestou nas redes sociais garantindo apoio às vítimas e às escolas de samba prejudicadas. “Independente de qualquer coisa, as escolas não serão rebaixadas. Se houver condições de desfilar, elas serão consideradas hors concours. Nossa equipe de assistência social já está mobilizada para dar suporte aos trabalhadores e suas famílias”, escreveu Paes no X (antigo Twitter).
Já o Secretário de Saúde do Rio, Daniel Soranz, afirmou que as equipes dos hospitais Souza Aguiar e Evandro Freire estavam preparadas para atender as vítimas do incêndio.
Escolas lamentam a tragédia
As três escolas afetadas se manifestaram em suas redes sociais, expressando tristeza pelo ocorrido. O Império Serrano publicou um comunicado informando que todas as fantasias do Carnaval 2025 da agremiação estavam na fábrica e que, no momento, a prioridade era garantir a segurança dos envolvidos.
A Unidos de Bangu e a Unidos da Ponte também lamentaram o incêndio e disseram estar em contato com a Liga RJ e autoridades para encontrar soluções.
A tragédia deixa muitas perguntas em aberto: o que causou o incêndio? Havia condições adequadas de segurança no local? As investigações devem trazer respostas nos próximos dias, enquanto os trabalhadores tentam se recuperar do choque e as escolas de samba buscam alternativas para não comprometer o desfile de 2025.