Uma história curiosa — e que vem se arrastando já faz um bom tempo — envolve uma igreja dedicada a Lúcifer, lá em Itatiaia, no interior do Rio de Janeiro. Pode parecer coisa de filme ou até exagero de internet, mas não é. O espaço existe de verdade e está há cerca de dez anos tentando conseguir autorização oficial pra funcionar. E até hoje, nada resolvido.
O templo foi idealizado e construído por Jonathan Oliveira Ribeiro, que também atende pelo nome de mestre Jonan. Ele mesmo costuma dizer, com certo orgulho, que criou a primeira igreja luciferiana do Brasil. O lugar fica próximo à Via Dutra, o que acaba chamando ainda mais atenção de quem passa pela região — afinal, não é todo dia que se vê algo assim tão explícito.
Dentro do espaço, segundo relatos do próprio fundador, acontecem cultos e rituais voltados a entidades como Exu e Pomba Gira, além de práticas direcionadas a Lúcifer. O ambiente segue uma estética bem característica: tudo pintado de preto e vermelho, cores que costumam ser associadas a esse tipo de crença. Para alguns, é só expressão religiosa; para outros, algo polêmico e até difícil de aceitar.
Mas o grande problema não tá exatamente nas atividades religiosas em si. A questão principal é burocrática. A igreja não possui alvará de funcionamento, ou seja, não tem autorização legal para operar como deveria. E isso, segundo o próprio Jonathan, não é por falta de tentativa. Ele afirma que vem tentando regularizar a situação há uma década, mas esbarra em entraves jurídicos ligados ao terreno onde o templo foi construído.
De acordo com ele, existem pendências envolvendo antigos proprietários dos lotes, o que complica bastante o processo. É aquela velha história: papelada mal resolvida lá atrás acaba virando dor de cabeça no futuro. E nesse caso, virou mesmo.
Por outro lado, a Prefeitura de Itatiaia tem uma versão mais direta. O órgão afirma que o terreno simplesmente não possui cadastro regular, o que já impede qualquer tipo de liberação. Além disso, reforça que toda construção precisa de aprovação prévia antes de ser erguida — algo que, segundo a administração municipal, não aconteceu nesse caso específico.
Ou seja, na visão da prefeitura, o problema não é religioso, mas sim legal. Falta documentação, falta regularização, falta cumprir etapas básicas. Sem isso, não tem muito o que fazer.
A situação acabou indo parar na Justiça, como já era de se esperar. E aí veio mais um capítulo dessa história. Segundo informações divulgadas ao portal G1, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro decidiu manter a interdição do local. A decisão foi unânime dentro da Primeira Câmara de Direito Público.
Na prática, isso significa que o templo segue fechado e lacrado, sem poder receber atividades formais. O motivo? O mesmo de sempre: irregularidades na documentação.

Enquanto isso, o caso continua gerando debate. Tem gente que defende o direito à liberdade religiosa, argumentando que qualquer crença deveria ter espaço garantido. Outros já acham que, independente disso, as regras precisam ser seguidas — seja igreja, comércio ou qualquer outro tipo de construção.
No fim das contas, a situação da igreja de Lúcifer em Itatiaia parece longe de um desfecho simples. Entre papeladas, disputas jurídicas e opiniões divididas, o templo segue ali, parado no tempo, esperando uma solução que já demora mais do que muita gente imaginava. E pelo andar da carruagem… pode demorar ainda mais.