Charles Esler (62), viveu por mais de cinco décadas em um hospital na Escócia mesmo sem ter sequer um diagnóstico médico. Conforme com a BBC Scotland News, o paciente chegou a instituição médica quando ainda tinha apenas 10 anos. No entanto, nesse meio tempo, ele também passou por outros hospitais.
Apesar da falta de diagnostico concreto que explicasse a justificativa de tanto tempo enfiado em hospital, era comprovado que ele tinha dislexia, que nada mais é que a dificuldade de aprender, no caso dele em específico, em modo leve, e epilepsia.
Uma apuração realizada pelo serviço de notícias da BBC observou que Esler não foi o único a ser vítima desse descaso. Outras centenas de pacientes com problemas de aprendizagem estão vivendo em hospitais longe de suas famílias, o que tem sido motivo de uma sequência de discussões sobre políticas governamentais do país.
Familiares de pacientes que sofrem de dislexia brigam incansavelmente para que seus parentes possam viver longe do ambiente hospitalar e de forma mais independente, uma vez que os avanços na Medicina são encorajadores. Há alguns anos, alterações nas políticas atenderam as justificativas dessas pessoas. Contudo, na prática tem sido bem diferente.
Conforme com a publicação, o governo escocês fez uma promessa de tirar parte dessas pessoas dos hospitais até março deste ano. No entanto, a investigação comprova que o governo não cumpriu o combinado, como o aumento de pessoas internadas foi identificado em 12%, o equivalente a mais de 1300 pessoas.
Para alegria de muitos, Charles teve um desfecho satisfatórios. No ano passado, ele recebeu as chaves do seu próprio apartamento e comemorou a boa notícia com a família. Especialistas do país apontam sobre a importância de tirar pessoas com dificuldade de aprendizagem de confinamento hospitalar.
Esler tem o hábito de explorar bem o atual ambiente em que vive, como a sala, o seu lugar favorito. Na grande maioria das vezes, ele costuma assistir a filmes e tem uma vida social com saídas até para pubs.
Charles contou no decorrer de uma entrevista cedida à BBC Scotland News, serviço de notícias da BBC na Escócia, que passou anos demais em hospitais – e que não se agradava de ficar trancado, sem liberdade.
Sua irmã, Margo McKeever, também contou que lutou incansavelmente para que Charles fosse transferido para um lugar em que pudesse ser mais livre- e no ano passado, aos 62 anos, ele finalmente pegou as chaves do seu próprio apartamento pela primeira vez.
“A família lutou durante anos para encontrar um lugar adequado para ele”, afirma David Fleming, da instituição beneficente Richmond Fellowship Scotland.
“Infelizmente algumas pessoas ficam presas no sistema.”

Os cuidadores de Charles creem fielmente que seu caso provou para o mundo que todos podem ser apoiados para viver em comunidade.
“Ele foi incrível durante a transição, e está prosperando, está bastante independente agora”, declara Fleming.
Charles, que cresceu em Glasgow, vibra:
“Posso sair agora e ir a alguns lugares, ir ao pub no fim da rua e almoçar lá. Gosto de fish and chips [peixe e fritas, prato típico do Reino Unido].”
“É uma sensação boa. Nunca tive liberdade antes.”
