Um caso revoltante de maus-tratos contra uma criança autista veio à tona neste sábado (15), após uma reportagem exibida pela Band. Duas psicólogas do Núcleo de Terapias da rede NotreDame Intermédica, localizado ao lado do Hospital Salvalus, na Mooca, zona leste de São Paulo, foram flagradas zombando e destratando o paciente durante uma sessão de terapia.
Os pais do menino começaram a suspeitar que algo estava errado quando perceberam que ele passou a demonstrar sinais de medo intenso ao chegar para as consultas. Choros frequentes, crises de pânico e resistência em entrar na unidade de saúde os deixaram alarmados. Desconfiados, decidiram esconder um gravador na mochila do filho para entender o que acontecia durante os atendimentos.
O que as gravações revelaram foi chocante: risadas, comentários preconceituosos e insultos por parte das profissionais, que deveriam estar ali para ajudá-lo.
Comentários cruéis e risos durante a sessão
Nos áudios registrados, é possível ouvir as terapeutas zombando do menino, em vez de oferecerem o suporte necessário para seu desenvolvimento. Em um dos trechos mais perturbadores, uma delas chega a afirmar que o paciente é uma “causa perdida”, enquanto a outra concorda e debocha: “Não cai uma lágrima”.
Os comentários ofensivos não pararam por aí. Em outro momento, uma das psicólogas relembra que precisou limpar o menino e o insulta de forma cruel: “Fez eu limpar seu cocô, parece uma pomba, come e ca*a”.
A situação se agrava ainda mais quando uma das profissionais propõe um exercício à criança e, ao perceber a resposta dele, ridiculariza sua fala. Ela inicia um questionamento: “Atenção! Olha para mim. Quem come banana? Quem come banana? É o…”. O menino responde: “Banana macaco”. Em seguida, a terapeuta debocha: “Olha o jeito que ele responde. Parece que é uma coisa só, banana e macaco”, enquanto ri.
Repercussão e medidas tomadas
A divulgação dos áudios gerou revolta imediata, principalmente entre famílias que convivem com o transtorno do espectro autista (TEA). O caso levanta preocupações sobre a falta de preparo de alguns profissionais e a vulnerabilidade de crianças que dependem desses atendimentos.
A NotreDame Intermédica, responsável pelo hospital e pelo núcleo de terapias, se pronunciou rapidamente, afirmando que repudia qualquer conduta preconceituosa e antiética. Como medida imediata, demitiu as duas psicólogas envolvidas e acionou as autoridades competentes.
A Polícia Civil já abriu um inquérito para investigar o caso como maus-tratos, o que pode levar a consequências criminais para as terapeutas. Além disso, o Conselho Regional de Psicologia também deve ser acionado para avaliar a conduta profissional das envolvidas e, possivelmente, cassar suas licenças.
Impacto na comunidade e pedidos de justiça
A repercussão do caso gerou indignação nas redes sociais. Muitas pessoas, incluindo pais de crianças autistas e profissionais da área da saúde mental, manifestaram repúdio ao comportamento das psicólogas e cobraram punições severas. Hashtags como #JustiçaParaOCriança e #RespeitoAoAutismo começaram a circular, reforçando a necessidade de atenção à qualidade dos serviços oferecidos a crianças com TEA.
Especialistas apontam que episódios como esse reforçam a importância da fiscalização rigorosa em clínicas e centros de terapia. Pais e responsáveis devem estar atentos aos sinais que os filhos demonstram e buscar ajuda caso percebam mudanças de comportamento sem explicação aparente.
Enquanto as investigações continuam, a família da criança tenta lidar com o trauma causado por aqueles que deveriam protegê-la. O caso serve como alerta sobre a responsabilidade dos profissionais de saúde e sobre a necessidade de um ambiente seguro e acolhedor para pessoas neurodivergentes.