Laura Cardoso e Glória Menezes, duas grandes referências da televisão brasileira, deixaram recentemente uma trajetória marcada por talento, dedicação e muitos anos de carreira. As duas ultrapassaram os 90 anos e, mesmo em uma idade avançada, continuaram ligadas ao universo artístico. As histórias das atrizes também ajudam a refletir sobre uma questão cada vez mais presente: como envelhecer de maneira saudável, com autonomia e qualidade de vida.
Mais do que a idade, a trajetória das duas mostra que envelhecer não significa necessariamente abandonar atividades, sonhos ou interesses. Durante décadas, Laura e Glória estiveram presentes em novelas, filmes, peças de teatro e outros trabalhos. Cada uma, à sua maneira, manteve uma relação bastante próxima com a profissão e com o público.
Segundo a gerontóloga Claudia Alves, envelhecer de forma ativa está relacionado à possibilidade de continuar participando da vida de acordo com os próprios desejos, condições e limitações. Isso significa que não existe uma fórmula única para chegar à velhice com saúde. Cada pessoa envelhece de uma maneira, levando em conta sua história, seus hábitos, sua genética, suas condições sociais e também o ambiente em que vive.
Um ponto importante levantado pela especialista é que o trabalho pode contribuir para uma vida mais ativa, mas não deve ser confundido com uma obrigação de produzir o tempo todo. Permanecer trabalhando depois dos 60, 70 ou 80 anos pode ser uma escolha positiva para algumas pessoas, principalmente quando a atividade traz prazer e sentido. Porém, quem decide parar de trabalhar também pode ter uma velhice bastante saudável e participativa.
O envelhecimento ativo pode aparecer em situações simples do dia a dia. Caminhar, encontrar amigos, cuidar da casa, praticar uma atividade física, ler, viajar, participar de atividades culturais ou simplesmente manter uma rotina que faça sentido são atitudes que ajudam a preservar a independência. Não é necessário seguir um padrão específico para viver bem essa fase.
Os cuidados, porém, não devem começar somente quando a pessoa chega aos 60 anos. De acordo com Claudia Alves, a preparação para uma velhice com mais autonomia começa muito antes. Alimentação equilibrada, sono adequado, acompanhamento da saúde e atividade física ao longo da vida são fatores que podem fazer diferença no futuro.
Também existe uma questão que muitas vezes acaba sendo esquecida: o ambiente onde a pessoa vive. Ter acesso a médicos, medicamentos, transporte, alimentação adequada, segurança e espaços de convivência interfere diretamente na qualidade de vida dos idosos. Por isso, envelhecer bem não depende apenas das escolhas individuais. A sociedade também precisa oferecer condições para que essa população consiga permanecer ativa.
Outro aspecto importante é o apoio da família. Ter autonomia não significa que uma pessoa idosa precise fazer tudo sozinha. Familiares e amigos podem ajudar em diferentes tarefas, mas é fundamental que esse auxílio respeite as escolhas e a capacidade de decisão do idoso.
A experiência de Laura Cardoso e Glória Menezes, portanto, vai muito além da televisão. Suas trajetórias mostram que a velhice pode continuar sendo uma fase de participação, descobertas e realização. Envelhecer não deve ser tratado como uma doença ou como o fim da vida ativa. Com cuidados, apoio e respeito às individualidades, essa etapa pode ser vivida de forma plena, mantendo aquilo que cada pessoa considera importante para si.