Uma tarde que parecia comum terminou em tragédia no Shopping Golden Square, localizado na conhecida Avenida Kennedy, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Uma funcionária de uma joalheria foi morta a facadas pelo ex-namorado dentro da própria loja onde trabalhava. O crime, que chocou clientes e funcionários, escancarou mais uma vez a triste realidade da violência contra a mulher no Brasil.
De acordo com as primeiras informações divulgadas pela Polícia Militar, o autor do ataque foi identificado como Cássio Henrique da Silva Zampieri, de 25 anos. Ele não teria aceitado o fim do relacionamento com a vítima, que durou cerca de seis anos. Amigos próximos contam que o término não foi nada fácil. Ele insistia, mandava mensagens, aparecia de surpresa. Aquela coisa que começa como insistência e termina em obsessão.
Segundo relatos preliminares, o rapaz entrou na loja já armado com uma faca. Não houve discussão longa, nem tempo para reação. Ele partiu para cima da jovem ali mesmo, no meio do expediente, diante de colegas e possivelmente clientes. Foi tudo muito rápido e desesperador. Um policial civil que passava pelo shopping percebeu a movimentação estranha e interveio. Ele atirou contra o agressor, que caiu ferido.
Tanto a vítima quanto o agressor foram socorridos por equipes do Resgate e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Os dois estavam em estado grave quando foram levados ao hospital. Horas depois, infelizmente, foi confirmada a morte da funcionária. A notícia caiu como uma bomba entre colegas de trabalho e familiares. É aquele tipo de ligação que ninguém quer receber.
O caso foi registrado no 2º Distrito Policial de São Bernardo do Campo, que agora conduz as investigações. Apesar de já se saber que os dois tiveram um relacionamento longo, a polícia ainda trabalha para esclarecer todos os detalhes da dinâmica do crime. O que se sabe, até o momento, é que o suspeito não aceitava o término. E isso, infelizmente, tem sido um roteiro repetido no noticiário brasileiro.
Em nota oficial, o shopping lamentou o ocorrido e classificou o caso como feminicídio. Informou ainda que está oferecendo apoio ao lojista e à família da vítima, além de se colocar à disposição das autoridades. A administração afirmou que colabora com as investigações e que medidas internas estão sendo tomadas.
O crime aconteceu em uma unidade da joalheria Vivara, marca bastante conhecida no país. A empresa também se pronunciou, dizendo que recebeu a notícia com “profundo pesar e consternação”. Em comunicado, declarou repudiar qualquer forma de violência, especialmente contra mulheres. Disse ainda que a prioridade neste momento é prestar todo o suporte necessário à família, amigos e colegas de trabalho da funcionária.
A loja permanecerá fechada por tempo indeterminado. A empresa informou que está oferecendo apoio psicológico e assistência às pessoas diretamente afetadas pelo episódio. Funcionários, segundo relatos, estão abalados. Alguns não conseguiram voltar para casa sozinhos naquele dia.
O caso reacende um debate urgente. O Brasil segue registrando altos índices de feminicídio, mesmo com leis mais rígidas e campanhas de conscientização. A cada nova ocorrência, fica a sensação de que algo ainda falha. Falha na proteção, falha na prevenção, falha em perceber os sinais antes que seja tarde.
Quem passou pelo shopping naquele dia dificilmente vai esquecer. O que era para ser apenas mais uma tarde comum de compras virou cenário de violência e dor. E, mais uma vez, uma mulher perdeu a vida por não ser aceita em sua decisão de seguir em frente.