Flávio Bolsonaro rompe o silêncio e manda recado para presidente Lula: “Parabéns”

Na noite de quarta-feira (9 de julho), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) usou o antigo Twitter, agora chamado X, pra alfinetar o presidente Lula após o anúncio do governo dos Estados Unidos de que vai aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. A medida foi anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump, e Flávio não perdeu tempo: ironizou, criticou e até “parabenizou” Lula pelo que chamou de “mais uma conquista” do petista.

Com um tom bem sarcástico, Flávio escreveu que Lula “conseguiu ferrar o Brasil” e chamou a política externa do governo atual de “um vexame internacional”. Na visão dele, o aumento das tarifas seria uma resposta direta às ações do Brasil que, segundo ele, estariam “provocando a maior economia do mundo”.

“Você tá com raiva dos brasileiros, é isso? Seu anti-patriotismo não tem limites”, disparou o senador na postagem. A frase inclusive continha um “(sic)”, talvez pra destacar um erro ou pra reforçar o tom de crítica. “Depois de tantas provocações à maior democracia do mundo, tá aí o resultado da sua política internacional ideologizada”, completou.

E não parou por aí. Flávio também fez um paralelo entre a atitude do governo dos EUA e a própria gestão de Lula dentro do Brasil. Segundo ele, o presidente brasileiro já “esfola” os trabalhadores com tantos impostos, e agora o país tá sendo punido lá fora da mesma forma. “Seu governo é baseado em aumentos insaciáveis de impostos, e agora o Brasil é taxado em 50% nas exportações. É o reflexo da sua política de dentro pra fora”, escreveu.

Trump, tarifas e o clima tenso

O anúncio da tarifa por parte de Trump não caiu como surpresa total. O republicano, que tá em plena campanha pra voltar à Casa Branca, vem prometendo um tarifaço global, especialmente contra países do Brics, bloco do qual o Brasil faz parte. Segundo ele, quem não estiver alinhado aos “interesses dos EUA” vai enfrentar consequências.

O Brasil, claro, entrou na mira. Trump já tinha reclamado de que o Brasil “não está sendo bom” para os Estados Unidos e deu a entender que o apoio de Lula ao Brics e a aproximação com países como China e Rússia incomodam. Inclusive, vale lembrar que Trump andou defendendo o ex-presidente Jair Bolsonaro em vários discursos recentes, o que alimenta ainda mais essa rixa política entre ele e Lula.

Lula, por sua vez, disse que o Brasil não vai ficar calado. A resposta deve vir com base na Lei de Reciprocidade Econômica, que permite ao país aplicar tarifas semelhantes contra produtos americanos se considerar que está sendo prejudicado.

Apesar disso, Trump deixou uma brecha: afirmou que pode repensar a tarifa se o Brasil decidir abrir mais o seu mercado e derrubar algumas barreiras comerciais que hoje atrapalham empresas americanas de atuar por aqui.

E agora, como fica?

A tarifa anunciada deve começar a valer no dia 1º de agosto e promete impactar diretamente setores como o do aço, do agronegócio e de tecnologia — justamente áreas em que o Brasil vinha tentando ampliar sua presença internacional. A medida pegou mal entre empresários e economistas, que temem um efeito cascata.

Enquanto isso, o clima segue esquentando entre os governos de Lula e Trump, mesmo antes da eleição presidencial dos EUA. E dentro do Brasil, políticos da oposição, como Flávio Bolsonaro, aproveitam cada brecha pra cutucar e reforçar a narrativa de que a diplomacia petista tá dando tiro no próprio pé.

Se essa tensão vai piorar ou não, ainda é cedo pra dizer. Mas uma coisa é certa: os próximos capítulos prometem ser barulhentos — e com muitos tuítes no meio.



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