Flávio Bolsonaro reage a decisão de Moraes e teme retaliação dos EUA: “Problema enorme”

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a usar as redes sociais para criticar o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Desta vez, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro demonstrou preocupação com possíveis consequências internacionais envolvendo os Estados Unidos, depois de uma decisão recente do magistrado.

Segundo o senador, existe o risco de o Brasil sofrer algum tipo de retaliação ou sanção por parte dos norte-americanos. Na avaliação dele, atitudes de Moraes estariam criando um clima de tensão desnecessário entre os dois países. Flávio falou disso justamente no momento em que se prepara para viajar aos Estados Unidos, onde participará de um evento bastante conhecido no meio conservador.

Trata-se da conferência organizada pela Conservative Political Action Conference, mais conhecida como CPAC. O encontro reúne figuras da direita internacional e, nos últimos anos, virou uma espécie de palco para lideranças conservadoras do mundo inteiro. Nomes ligados ao ex-presidente dos EUA, Donald Trump, costumam marcar presença por lá.

Flávio não vai sozinho. Ele embarca acompanhado de uma comitiva formada por mais de dez políticos ligados ao bolsonarismo. A ideia, segundo aliados, é fortalecer pontes com grupos conservadores internacionais e discutir temas políticos e ideológicos. Em publicações nas redes, o senador também reclamou do que chamou de “campanha de fake news” contra ele e contra outros integrantes do grupo.

Mas o ponto que mais chamou atenção nas declarações do parlamentar foi outro. Flávio comentou uma polêmica envolvendo a visita de um assessor ligado ao governo americano ao seu pai, que atualmente está preso na chamada Papudinha, em Brasília.

O caso envolve Darren Beattie, que atua como assessor de Trump para assuntos relacionados ao Brasil. Inicialmente, havia sido autorizada uma visita dele a Jair Bolsonaro. No entanto, a decisão acabou sendo revista posteriormente por Alexandre de Moraes, o que gerou reação imediata entre aliados do ex-presidente.

Na visão de Flávio Bolsonaro, essa mudança de posição pode gerar desgaste diplomático. Em tom crítico, ele afirmou que o ministro estaria criando confusão sem necessidade. O senador chegou a ironizar a situação.

“Depois taxam o Brasil e vão querer colocar a culpa na gente”, escreveu ele em uma das publicações, insinuando que possíveis medidas econômicas vindas dos Estados Unidos poderiam surgir como resposta a esse tipo de episódio.

Na sequência, o parlamentar aumentou o tom contra o magistrado do STF. Para ele, Moraes teria prejudicado a imagem do Judiciário brasileiro no exterior e agora estaria ampliando o problema.

“Moraes é tóxico, afundou a imagem do Judiciário e agora está criando um problema MASTER para o Brasil”, escreveu o senador. O uso da palavra em inglês, em caixa alta, chamou atenção de quem acompanha a discussão nas redes.

Flávio também questionou qual seria o problema de permitir a visita do assessor americano ao ex-presidente. Na mensagem, ele levantou suspeitas, dizendo que a proibição só faria sentido se houvesse algo que precisasse ser escondido. A declaração acabou gerando novas discussões online.

Aliás, esse tipo de embate entre aliados de Bolsonaro e membros do Supremo tem sido cada vez mais comum. Nas últimas semanas, o clima político em Brasília voltou a esquentar — e nas redes sociais o tom muitas vezes passa do limite.

Enquanto isso, a viagem de Flávio aos Estados Unidos ocorre em meio a um cenário político bem sensível. O evento da CPAC deve reunir figuras influentes da direita mundial, inclusive aliados próximos de Trump, e há expectativa de discursos fortes sobre liberdade de expressão, política internacional e o que muitos chamam de “avanço do ativismo judicial”.

Nos bastidores, gente próxima ao senador diz que ele pretende aproveitar a viagem para reforçar a narrativa de que há perseguição política contra o ex-presidente no Brasil. Já críticos afirmam que essas declarações podem acabar ampliando ainda mais a crise institucional.

Seja como for, o episódio mostra que a tensão entre política, Judiciário e relações internacionais continua longe de acabar. E pelo visto, novas polêmicas ainda devem surgir nos próximos capítulos dessa história.



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