Flávio Bolsonaro mostra força nas redes e repete fenômeno do pai

O ano de 2026 começou com mais perguntas do que respostas no cenário político brasileiro. Enquanto a campanha presidencial esquenta acelerado nas mídias tradicionais, um outro termômetro tem chamado atenção: o Índice Datrix de Presidenciáveis (IDP), que mede a presença e o engajamento dos principais nomes cotados para o Palácio do Planalto nas redes sociais e no ambiente digital.

Segundo o levantamento mais recente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terminou o ano de 2025 e iniciou janeiro de 2026 liderando esse ranking digital, à frente de adversários e concorrentes de distintas correntes políticas. Essa liderança, embora surpreendente para alguns, pode ser entendida como reflexo direto da estratégia de comunicação do PL e do impacto imediato que a pré-candidatura de Flávio gerou nas redes.

Mas vamos por partes. O IDP não é uma pesquisa de intenção de voto tradicional — ou seja, não mede quem as pessoas vão votar. Em vez disso, ele tenta capturar o ruído digital produzido em torno de cada nome: número de menções, engajamentos, menções por formadores de opinião e até interesse do público em mecanismos de busca.

Essa diferença é fundamental. Um candidato pode aparecer muito nas redes, ser muito comentado, mas nem sempre isso se traduz em votos reais no dia da eleição. Ainda assim, para campanhas e estrategistas, entender e dominar esse ambiente já faz parte do jogo político moderno.

Logo no final de dezembro, o nome de Flávio alcançou 36 pontos no IDP, enquanto nomes como Ronaldo Caiado tiveram 32 e Lula ficou com 27. No início de janeiro, Flávio manteve o primeiro lugar com 33 pontos, seguido por Caiado com 31 e Romeu Zema com 29.

Para analistas e para o próprio CEO da Datrix, João Paulo Castro, esse desempenho tem raízes claras: o lançamento da pré-candidatura do senador fortaleceu sua presença na discussão pública online e reposicionou pautas tradicionalmente dominadas por figuras de oposição — como a situação na Venezuela e temas de política externa — no centro das atenções.

Em entrevistas, Castro tem enfatizado que festas de fim de ano e o início do ano eleitoral comprimem o interesse político no curto prazo, fazendo com que as diferenças entre os candidatos pareçam menores no ambiente digital. Traduzindo: enquanto alguns nomes tinham grande volume de citações, outras figuras ganham terreno simplesmente porque a conversa pública está mais difusa.

Por outro lado, a recuperação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas redes também é apontada pela Datrix como um fator relevante. Desde maio de 2025, Lula vem reconquistando espaço em plataformas próprias — o que, em parte, compensou a pressão causada por temas internacionais e notícias que desgastam sua imagem.

Um aspecto curioso dessa equação é que os governadores da chamada “direita governista/oposição” — como Caiado e Zema — também cresceram no IDP, aproveitando a falta de definições mais claras dentro do campo oposicionista. A estratégia deles, segundo especialistas, passa por preencher o vácuo digital deixado por uma oposição que, historicamente, teve Jair Bolsonaro como eixo, mas que agora precisa se reorganizar sem a figura central dele — ainda que sua sombra política continue influente.

No entanto, e esse é um ponto que vale registrar, ter destaque digital não é sinônimo de liderança nas pesquisas eleitorais tradicionais. Pesquisas de intenção de voto continuam mostrando Lula com vantagem confortável em cenários de primeiro turno, e outros nomes — como Michelle Bolsonaro e Tarcísio de Freitas — aparecem com cifras consideráveis em levantamentos convencionais. Isso mostra que o Brasil ainda mantém um eleitorado diversificado, com múltiplos focos de atenção e preferências que nem sempre convergem com o que se vê no ambiente online.

Em suma, o IDP é um alerta e uma lente interessante para observar tendências e o tom de debates e narrativas nas redes sociais. Mas ele deve ser interpretado com cautela e sempre em conjunto com outros indicadores — especialmente porque o Brasil vive um momento de profundas tensões políticas, polarização alta e desconfiança entre parcelas significativas da população.



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