A investigação envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (11). A defesa do parlamentar protocolou um pedido junto ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando que a Polícia Federal realize novas diligências relacionadas a uma suposta reunião convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
De acordo com os advogados de Flávio, o encontro teria ocorrido logo após a prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro por autoridades dos Estados Unidos, fato que teria acontecido em janeiro deste ano. A defesa argumenta que a apuração desse episódio é fundamental para esclarecer o contexto de uma publicação feita pelo senador na rede social X, antigo Twitter.
Na ocasião, Flávio compartilhou uma reportagem que tratava justamente dessa suposta reunião emergencial do governo brasileiro. Ao comentar a notícia, ele afirmou que Lula poderia acabar sendo “delatado”. A declaração acabou gerando questionamentos e motivou a abertura de um inquérito conduzido pela Polícia Federal.
Segundo os advogados do senador, a intenção agora é demonstrar que ele não agiu com dolo, ou seja, que não teve a intenção deliberada de cometer o crime de calúnia contra o presidente da República. A tese da defesa é que a manifestação feita nas redes sociais estava baseada em informações que já circulavam na imprensa naquele momento.
O pedido encaminhado ao STF busca não apenas detalhes sobre a suposta reunião, mas também a autorização para ouvir uma série de pessoas consideradas importantes para o caso. Entre elas está o próprio presidente Lula. Também foram incluídos na lista a líder da oposição venezuelana María Corina Machado, o procurador norte-americano Walter Clayton III e Euzenando Prazeres de Azevedo, citado pela defesa como alguém que poderia contribuir com esclarecimentos.
Além desses nomes, os advogados solicitaram o depoimento de figuras conhecidas da política e do meio jurídico brasileiro. Estão na relação o senador Sérgio Moro (União Brasil-PR), o ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol, os marqueteiros João Santana e Mônica Moura, além do ex-executivo da Odebrecht Hilberto Mascarenhas.
Outro ponto apresentado pela defesa envolve o compartilhamento de documentos ligados às investigações e ao processo criminal que teria sido aberto contra Nicolás Maduro nos Estados Unidos. A intenção é reunir elementos que possam reforçar a argumentação apresentada pelos advogados do parlamentar.
Até o momento, Alexandre de Moraes ainda não analisou o pedido. Por isso, não existe uma definição sobre quais medidas poderão ser autorizadas nos próximos dias.
A movimentação ocorre pouco tempo depois de a Polícia Federal negar um pedido semelhante feito pela defesa de Flávio Bolsonaro. Na ocasião, os investigadores entenderam que não havia necessidade de realizar as diligências solicitadas nem de aprofundar as apurações sobre o encontro citado pelo senador.