A jornalista Fátima Bernardes, que muita gente ainda associa automaticamente ao antigo programa Encontro na Globo, chamou atenção nesta terça-feira (24) ao demonstrar apoio público a um colega de profissão que passou por um momento delicado de saúde — e que, de quebra, fez críticas pesadas à emissora.
O caso envolve o chefe de produção Fabrício Martha, um nome respeitado nos bastidores do jornalismo. Foram cerca de 30 anos dedicados à empresa, o que não é pouca coisa, ainda mais num cenário atual onde profissionais raramente ficam tanto tempo no mesmo lugar. Só que, recentemente, ele decidiu sair — e o motivo acabou vindo à tona de uma forma bem impactante.
Segundo o próprio Fabrício, o pedido de demissão foi feito enquanto ele ainda estava no hospital. Isso mesmo. Em recuperação de um infarto, ele pegou o celular e comunicou seus chefes via WhatsApp. Apesar da situação parecer diretamente ligada à saúde, ele fez questão de explicar que não era bem assim. Disse que a decisão já vinha sendo maturada por conta de “conjunturas internas” que, nas palavras dele, já não combinavam mais com quem ele é hoje.
A repercussão foi imediata, principalmente depois que Fátima Bernardes resolveu se manifestar. Em um comentário carinhoso nas redes sociais, ela escreveu que o colega “merece todo esse amor” e destacou a forma leve como ele sempre lidou com as pessoas, com humor e afeto. Pra quem acompanhou a trajetória dela no Jornal Nacional, ao lado do ex-marido William Bonner, não chega a ser surpresa esse tipo de postura mais empática.
Mas o que realmente mexeu com o público foi o relato mais detalhado feito por Fabrício. Em uma publicação, ele contou que ainda estava no leito do CTI quando recebeu uma mensagem de uma funcionária do setor de cuidados da empresa. Até aí, tudo bem, né? Só que o pedido era, no mínimo, complicado: anexar o atestado médico no sistema… direto do hospital.
Ele explicou que não tinha previsão de alta, que estava em recuperação e sem condições de resolver aquilo naquele momento. Mesmo assim, segundo ele, a insistência continuou. E ele fez questão de frisar — não era inteligência artificial, era uma pessoa mesmo.
O desabafo ficou ainda mais forte quando ele descreveu a situação. Recém-infartado, com acessos nos braços pra exames e medicação, sem conseguir dormir direito (porque, como ele mesmo disse, ninguém dorme tranquilo num CTI coronariano), e ainda tendo que lidar com burocracia. Ele chegou a comentar, com um tom meio irônico, que não conseguiria resolver aquilo “nem com Lego”.
Em outro trecho, Fabrício questiona se a abordagem seria a mesma caso o paciente fosse um nome mais conhecido do público, como Renata Vasconcellos, William Bonner, Pedro Bassan ou Flávio Fachel. A resposta que ele diz ter recebido foi direta: o contrato deles é diferente, no modelo PJ.
Isso pegou mal. E muito.
Pra fechar, ele ainda comentou que enxerga o jornalismo da emissora em um caminho de queda, usando a expressão “ladeira abaixo”. Disse também que, apesar de tudo, sente um certo alívio — como se estivesse saindo de um pesadelo que já não faz mais parte da vida dele.
No fim das contas, o episódio levanta várias questões… não só sobre relações de trabalho, mas também sobre empatia, especialmente em momentos de fragilidade. E aí fica aquela sensação estranha: será que, em ambientes tão grandes, o lado humano acaba ficando em segundo plano? Talvez. Ou talvez dependa de quem está do outro lado da mensagem.