A edição do Fantástico exibida no último domingo (31) acabou gerando uma forte reação nas redes sociais. O motivo? A ausência de qualquer comentário sobre o debate envolvendo o possível fim da escala de trabalho 6×1, um dos assuntos mais discutidos da semana. Para muitos telespectadores, a decisão da TV Globo de ignorar completamente o tema levantou questionamentos e alimentou críticas sobre os interesses da emissora.
Enquanto a revista eletrônica apresentou reportagens sobre diversos temas, incluindo casos curiosos e até assuntos relacionados ao famoso episódio dos supostos ETs de Varginha, muita gente percebeu que não houve sequer uma menção à discussão sobre a jornada de trabalho. Nas redes sociais, a repercussão foi imediata.
Entre os comentários que mais chamaram atenção esteve o do internauta Rick Azevedo, conhecido por publicar análises e opiniões sobre televisão. Ele criticou duramente a postura da emissora. Segundo ele, o Fantástico encontrou espaço para abordar temas variados, mas deixou de lado justamente um assunto que, na visão de muitos trabalhadores, tem impacto direto na vida de milhões de brasileiros.
“O Fantástico falou até dos ETs de Varginha e não disse uma palavra sobre o fim da escala 6×1, que foi uma das principais pautas da semana”, escreveu ele em uma publicação que rapidamente ganhou repercussão. O comentário acabou sendo compartilhado por diversos usuários, ampliando ainda mais o debate.
Para parte do público, a escolha editorial da Globo estaria relacionada ao fato de a própria empresa empregar milhares de profissionais em modelos de trabalho semelhantes. Essa interpretação passou a circular fortemente nas plataformas digitais, onde usuários questionaram se interesses empresariais poderiam influenciar a seleção dos temas exibidos nos programas jornalísticos.
As críticas, no entanto, não ficaram restritas apenas à Globo. Internautas também observaram que outras grandes emissoras, como Record, SBT e Band, deram pouco ou nenhum destaque ao assunto. Isso fez surgir uma discussão mais ampla sobre a cobertura da imprensa em relação a pautas trabalhistas e sobre os critérios utilizados na definição das reportagens consideradas prioritárias.
O debate acabou dividindo opiniões. De um lado, pessoas defenderam que a escala 6×1 é uma realidade presente em diversos setores da economia e que faz parte da rotina de milhões de trabalhadores. Já outros argumentaram que esse modelo reduz a qualidade de vida dos funcionários, dificulta a convivência familiar e pode gerar impactos na saúde física e mental ao longo do tempo.
No meio da discussão, alguns usuários também lembraram de casos envolvendo artistas. Um dos exemplos mais citados foi o da atriz Bianca Bin. Segundo comentários compartilhados nas redes, ela teria recusado participar de uma produção justamente por conta da rotina intensa de gravações associada ao modelo de trabalho 6×1. Embora o caso tenha voltado a circular nos últimos dias, ele foi usado como argumento por quem critica esse formato de jornada.
Houve ainda espaço para ironias e brincadeiras. Alguns internautas fizeram piadas envolvendo apresentadoras da própria Globo, como Maju Coutinho e Poliana Abritta, sugerindo que elas não enfrentariam a mesma rotina de grande parte dos trabalhadores que atuam sob esse regime.
Enquanto isso, a discussão segue ganhando força na internet. O tema continua mobilizando trabalhadores, sindicalistas, empresários e políticos, mostrando que a jornada de trabalho permanece sendo um assunto sensível e capaz de provocar reações intensas. Independentemente das opiniões, o fato é que a ausência do tema em um dos programas mais assistidos do país acabou se transformando em notícia e gerando um debate que ainda está longe de terminar.